A chave do Cincinnati Open 2026 foi sorteada nesta terça-feira e já chega com um ingrediente raro: pela primeira vez em anos, o torneio acontecerá sem os dois homens que decidiram quase todos os grandes eventos de quadra dura das duas últimas temporadas. Jannik Sinner e Carlos Alcaraz estão fora — e isso reconfigurou por completo as projeções no último Masters 1000 antes do US Open. No feminino, Sabalenka lidera um campo com dez campeãs de Grand Slam. E João Fonseca ganhou um caminho que, ao mesmo tempo, pode ser lucrativo e complicado.
A ausência de Sinner e Alcaraz muda o equilíbrio do torneio
O Cincinnati Open de 2026 começa na quinta-feira, 13 de agosto, e vai até o dia 23, no Lindner Family Tennis Center, em Mason, Ohio. É a 125ª edição do torneio masculino e o último evento de nível Masters 1000/1000 antes do US Open. Porém, as notícias dos últimos dias tiraram do campo o número 1 do mundo, Jannik Sinner, com uma lesão no joelho, e o número 2, Carlos Alcaraz, com uma lesão no pulso.
A ausência de Alcaraz tem peso histórico: ele venceu as duas últimas edições masculinas em Mason. A de Sinner também. O italiano vinha de uma sequência recorde de 34 vitórias consecutivas em partidas de Masters 1000 e de seis títulos na temporada. Ao todo, oito homens desistiram antes do início do evento, abrindo espaço na chave e mudando o equilíbrio de forças.
Quem avaliou o novo cenário foi Alexander Zverev, agora cabeça de chave número 1. "Acho que isso muda um pouco as coisas, especialmente com o Jannik não estando aqui", disse o alemão. "Mas para mim, não muda muito. Eu ainda quero competir contra os melhores."
Metade de cima da chave: Zverev, Djokovic e Jodar no mesmo caminho
A chave masculina reúne 96 jogadores, com 32 cabeças de chave que pulam direto para a segunda rodada. Os oito primeiros são Alexander Zverev (1), Félix Auger-Aliassime (2), Novak Djokovic (3), Daniil Medvedev (4), Alex de Minaur (5), Taylor Fritz (6), Flavio Cobolli (7) e Ben Shelton (8).
O sorteio colocou Zverev, Djokovic e o sensação Rafael Jodar na mesma metade. Zverev começa contra Cameron Norrie ou Dino Prizmic e pode encontrar Tomás Martín Etcheverry na terceira rodada, com Valentin Vacherot e Tommy Paul como possíveis rivais nas oitavas de final. Djokovic, campeão de 24 Grand Slams, estreia contra Thiago Agustín Tirante ou Jan Choinski, com caminho que passa por Matteo Arnaldi, Jack Draper ou Martin Landaluce, e depois Jakub Mensik ou Luciano Darderi nas oitavas.
As quartas de final projetadas na metade de cima são Zverev x Cobolli — uma revanche da final de Roland Garros — e Djokovic x De Minaur. Rafael Jodar, em forma sensacional, surge como carta fora do baralho no quarto de Zverev.
Metade de baixo da chave: Fritz, Medvedev e o quarto de Fonseca
Na metade de baixo, Taylor Fritz (6º) e Daniil Medvedev (4º) podem se cruzar nas quartas, enquanto Ben Shelton (8º) e Félix Auger-Aliassime (2º) são os projetados do outro lado. Medvedev, campeão de 2019, e Andrey Rublev, vice-campeão de 2021, dão o tom de perigo na seção.
É exatamente nesse quarto — o terceiro, liderado por Fritz — que está João Fonseca. O brasileiro é o 23º cabeça de chave e foi sorteado para a mesma seção que o argentino Francisco Cerúndolo (20º), o que significa que os dois não podem se enfrentar antes das quartas de final. Além de Cerúndolo, o quarto reúne o norueguês Casper Ruud, o americano Brandon Nakashima, o belga Zizou Bergs e o wildcard Marin Čilić, campeão de 2016.
O caminho de Fonseca, portanto, é duro: para chegar longe, terá de passar por uma seção repleta de ex-campeões de Masters 1000. Pela projeção por cabeça de chave, as quartas desse grupo apontam um duelo entre Fritz e Medvedev — o que significa que Fonseca ou Cerúndolo precisariam superar nomes como o russo para sonhar com uma semifinal.
Vale lembrar também o perigo representado por Thiago Agustín Tirante: o argentino venceu Fritz na segunda rodada de Montreal e agora divide o quarto do americano em Cincinnati, em um torneio em que a Argentina leva oito homens — a maior delegação da região. O peruano Ignacio Buse, de 21 anos e 29º cabeça de chave, está no quarto de baixo, ao lado de Shelton, Musetti, Tiafoe e do campeão de 2017 Grigor Dimitrov.
Feminino: Sabalenka, Swiatek e um duelo de gerações
No WTA, a campeã de 2024 e número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, lidera a chave. Elena Rybakina, Jessica Pegula e Coco Gauff comandam cada uma um dos outros três quartos. São dez campeãs de Grand Slam no sorteio, incluindo cinco vencedoras anteriores do evento: Iga Swiatek (2025), Sabalenka (2024), Gauff (2023), Madison Keys (2019) e Karolina Pliskova (2016).
Duas baixas importantes marcaram o feminino: Naomi Osaka desistiu por fadiga, sendo substituída por Katerina Siniakova no primeiro quarto, e Beatriz Haddad Maia não disputará mais a temporada. A brasileira anunciou que planeja voltar em 2027 usando proteção de ranking, após uma temporada difícil, com quatro vitórias e dezenove derrotas, incluindo oito derrotas consecutivas.
As quartas de final projetadas no feminino são Sabalenka x Svitolina, Gauff x Kostyuk, Pegula x Anisimova e Rybakina x Swiatek. O duelo Rybakina x Swiatek, em especial, já tem 12 edições no histórico, com empate de 6 a 6 — e Swiatek eliminou a cazaque nas semifinais de 2025 a caminho do título.
A única latino-americana no main draw feminino é a colombiana Camila Osorio, que abre contra a americana Taylor Townsend. Quem vencer enfrenta a número 2 do mundo, Elena Rybakina. Venus Williams também está na chave e jogará contra uma qualifier, com Swiatek como possível rival na segunda rodada.
Uma premiação histórica para homens e mulheres
O torneio também entra para a história pela premiação. Pela primeira vez, tanto o campeão masculino quanto a campeã feminina de simples deixarão Cincinnati como milionários. Serão US$ 1.151.380 para o campeão masculino e US$ 1.085.220 para o feminino. No total, os homens disputam US$ 9.415.725, enquanto o prêmio feminino é de US$ 7.433.076.
O aumento feminino foi o destaque: 44,3% a mais do que o total de US$ 5.152.599 de 2025, enquanto o masculino cresceu 2,4% sobre os US$ 9.193.540. A diferença entre os prêmios de homens e mulheres, tradicionalmente grande em torneios de nível 1000, nunca foi tão pequena.
A bola começa a rolar na quinta-feira, com a fase principal. Enquanto isso, o qualifying acontece entre terça e quarta-feira, definindo as últimas vagas. Para Fonseca, Cerúndolo e todos os sul-americanos em Ohio, as respostas sobre forma e maturidade chegarão rápido — e a chance de roubar a cena em um torneio sem os dois maiores favoritos está mais aberta do que nunca.
