O Masters 1000 de Montreal 2026 está virando o torneio das zebras. Em poucos dias, o National Bank Open, que acontece entre 1 e 13 de agosto no IGA Stadium, em piso duro, viu o cabeça de chave nº 1, Alexander Zverev, o nº 4, Daniil Medvedev, e o nº 7, Taylor Fritz caírem ainda na segunda rodada. Depois, o nº 3, Alex de Minaur, também foi eliminado. Sinner e Djokovic nem entraram na chave, Alcaraz segue fora por lesão no pulso, e o favorito da casa, Félix Auger-Aliassime, se retirou antes de entrar em quadra.

Com o topo do ranking varrido, a chave ficou escancarada. E é nesse cenário que João Fonseca, número 27 do mundo, vive um dos momentos mais importantes da carreira: após derrotar Stefanos Tsitsipas, o brasileiro enfrenta Casper Ruud na terceira rodada, nesta sexta-feira, com a chance de dar mais um passo rumo a uma inédita semifinal de Masters 1000.

A noite dos holandeses no Masters 1000 de Montreal 2026

A onda de zebras começou na quarta-feira, dia 5 de agosto. O holandês Tallon Griekspoor, número 69 do mundo, protagonizou uma das maiores surpresas do torneio ao eliminar Alexander Zverev por 6-7(3), 6-2, 6-4. Foi a primeira partida do alemão, número 3 do mundo, desde a final de Wimbledon, e a terceira vitória da carreira de Griekspoor sobre o "Sascha".

O que torna a zebra ainda mais improvável é o momento de Griekspoor: ele chegou a Montreal com apenas uma vitória nos últimos oito jogos no circuito. Depois do triunfo, o holandês admitiu a dificuldade do período. "Estive muito perto de jogar a toalha algumas vezes", disse. "Mas venho trabalhando cada vez mais duro e alcancei um nível muito bom nos treinos nas últimas semanas. Senti que era só questão de tempo. Essa vitória é especial, principalmente contra um jogador como o Sascha."

Na mesma noite, Botic van de Zandschulp completou a festa laranja ao derrotar Daniil Medvedev por 6-3, 7-6(5). Foi a primeira vitória do holandês sobre o russo e a nona contra jogadores do top 10 na carreira — a primeira desde que bateu Novak Djokovic em Indian Wells na temporada passada. "Nunca o venci antes, então hoje eu tive que mudar o jogo, sair da minha zona de conforto, e acho que fiz isso bem", disse van de Zandschulp.

Medvedev e Fritz: a queda dos favoritos

A eliminação de Medvedev tem um agravante estatístico. Para quem já acompanhava o histórico do russo em Montreal, a derrota na primeira rodada (ele tinha bye) não foi uma completa surpresa: o ex-número 1 do mundo soma agora quatro eliminações na estreia no torneio canadense. Durante os treinos antes da competição, ele foi visto com os dois joelhos enfaixados.

Já Taylor Fritz, sétimo cabeça de chave, pagou caro pelo desgaste. O americano vinha de conquistar o título em Washington — seu maior troféu em quase quatro anos — apenas 48 horas antes de entrar em quadra em Montreal. Contra o argentino Thiago Agustín Tirante, Fritz perdeu por 7-5, 6-3, precisou de atendimento médico durante o segundo set e teve a movimentação visivelmente comprometida. Tirante, por sua vez, disparou 19 winners e perdeu apenas um ponto com o primeiro serviço na partida inteira.

A sequência de baixas não parou por aí. Flavio Cobolli, sexto cabeça, e Andrey Rublev, décimo, também caíram em suas partidas de estreia. E o canadense Félix Auger-Aliassime, favorito da casa, foi forçado a se retirar antes de jogar, com lesão nas costas. Quando a segunda rodada terminou, apenas três dos dez principais cabeças de chave seguiam vivos.

De Minaur e a vaga aberta no topo da chave

No dia seguinte, mais uma queda de peso. O australiano Alex de Minaur, terceiro cabeça de chave, chegou a ter match point contra Cameron Norrie na terceira rodada, mas o britânico virou o jogo de forma dramática: 5-7, 7-6(5), 6-1, em quase três horas de partida.

De Minaur liderava por 5-2 no segundo set e teve match point a favor, mas cometeu uma dupla falta no momento decisivo. Depois, falhou ao tentar sacar para a partida em 5-4, e Norrie passou a ditar os pontos do fundo de quadra, convertendo oito de 13 oportunidades de quebra no confronto. Com a eliminação do australiano, o topo da chave ficou definitivamente aberto para o restante da semana.

João Fonseca encara Ruud: um reencontro com história

Enquanto os favoritos caíam, João Fonseca construía sua campanha com calma. Cabeça de chave nº 22, o brasileiro estreou diretamente na segunda rodada e venceu o grego Stefanos Tsitsipas por 7-6(3), 7-5, em 1h50 de partida, em sua volta ao circuito desde Wimbledon. Foi a segunda vitória da carreira do carioca de 19 anos sobre o ex-número 3 do mundo e a primeira vez que um brasileiro chega à terceira rodada do torneio canadense desde Gustavo Kuerten.

Agora vem o duelo mais esperado. Fonseca enfrenta Casper Ruud nesta sexta-feira, 7 de agosto, não antes das 20h no horário de Brasília, na quadra central do IGA Stadium, com transmissão da ESPN 2 e do Disney+. O norueguês, atual número 14 do mundo e ex-número 2, é o nono cabeça de chave e um dos grandes favoritos ao título após a debandada do topo do ranking — tem 24 vitórias e 14 derrotas na temporada e passou por Juan Manuel Cerúndolo por 6-1, 6-2 em apenas 59 minutos na rodada anterior.

O histórico favorece o brasileiro: Fonseca lidera o confronto direto por 1 a 0. No reencontro mais recente, nas oitavas de final de Roland Garros 2026, o carioca venceu por 7-5, 7-6(8), 5-7, 6-2, em uma das atuações que marcaram sua campanha em Paris. O piso duro e a agressividade do forehand do brasileiro, aliados à vantagem psicológica sobre o adversário, colocam Fonseca como favorito para boa parte da imprensa especializada na véspera do confronto.

Se vencer, Fonseca reencontra pela frente o vencedor da partida entre Jakub Mensik e Terence Atmane nas oitavas de final. Um duelo com sabor especial: Mensik foi justamente quem eliminou o brasileiro nas quartas de final de Roland Garros deste ano.

O que a chave aberta do Masters 1000 de Montreal 2026 significa antes do US Open

A montanha-russa de Montreal tem impacto direto na reta final da temporada. Com Sinner, Djokovic e Alcaraz fora do torneio e os principais cabeças de chave eliminados cedo, o National Bank Open 2026 perde força como termômetro da forma dos favoritos para o US Open, que começa em 30 de agosto. Mas ganha em imprevisibilidade: nomes como Ben Shelton, Jiří Lehečka e Casper Ruud viram candidatos reais ao título de um Masters 1000.

Para o tênis brasileiro, o momento é de celebração. Uma vitória sobre Ruud seria a segunda consecutiva de Fonseca contra o norueguês — que, aos 27 anos, é um dos tenistas mais experientes do top 20 do ranking — e o consolidaria de vez como protagonista da nova geração. O sorteio de Montreal pode ter perdido suas estrelas, mas ganhou uma história: a do jovem de 19 anos que chegou com a chave fechada para os favoritos e, de repente, viu o caminho se abrir diante de si. Resta saber se ele aproveitará a chance.