O US Open 2025, um dos quatro grand slams do tênis mundial, tem sido palco de muita emoção e, principalmente, de momentos de tensão entre os jogadores. Flushing Meadows, em Nova York, tradicionalmente cenário do torneio, novamente mostrou que não é só as quadras duras que exigem preparo, mas também o controle emocional dos atletas.

Um dos episódios mais comentados aconteceu logo após a surpreendente vitória do alemão Daniel Altmaier sobre o grego Stefanos Tsitsipas. No cumprimento na rede, Tsitsipas não escondeu sua irritação, mas Altmaier, visivelmente calmo, se afastou e não quis entrar em discussões. “Mesmo se eu perdesse, não entraria em discussões porque é só a emoção do momento. A gente precisa esfriar a cabeça e ver como cada um reage depois”, disse o alemão.

Essa explosão de emoções não é exclusividade entre esses dois. Na estreia do torneio, Daniil Medvedev protagonizou um momento tenso ao criticar duramente o árbitro e provocar a torcida do Louis Armstrong Stadium a protestar durante seis minutos, enquanto seu adversário Benjamin Bonzi buscava o ponto do jogo. Apesar da confusão, Medvedev acabou derrotado numa memorável batalha de cinco sets.

Outro caso emblemático foi o da letã Jelena Ostapenko, que após ser eliminada pela americana Taylor Townsend na segunda rodada, teve uma reação bastante calorosa na quadra. Townsend afirmou que Ostapenko a atacou com palavras duras, acusando-a de “falta de educação” e “falta de classe”. Já Tsitsipas, visivelmente frustrado com o saque por baixo aplicado por Altmaier, mandou um recado após a partida: “Da próxima vez, não se pergunte por que eu te acertei, ok? Só digo que se serve por baixo…”, mas Altmaier preferiu se afastar novamente.

De fato, o clima no US Open tem sido mais tenso que o habitual. O torneio ocorre no final de uma temporada dura e longa, quando os jogadores já estão cansados física e mentalmente. Além disso, jogar em Nova York, uma das cidades mais intensas do mundo, potencializa a pressão. A americana Jessica Pegula comentou sobre a influência da torcida local: “As arquibancadas são muito agitadas, isso deixa todo mundo mais tenso. É o último Grand Slam da temporada, a última chance de avançar bastante num grande torneio por um tempo. Acho que a adrenalina e o estresse acabam aflorando as emoções.”

A jovem americana Coco Gauff também concorda com a pressão extra que a cidade impõe: “É o fim do ano, estamos em Nova York, e os fãs aqui são apaixonados. Se você está do lado errado das coisas, eles sentem e isso mexe com a energia da partida. Eles são conhecedores e estão acostumados a grandes eventos, nem sempre de tênis.”

Por outro lado, a ex-número 1 do mundo Naomi Osaka, que cresceu em Nova York, não acredita que o local tenha tanto impacto assim: “Não culpe Nova York!” disse, sorrindo. Ela ainda lembrou que jogadores como Medvedev, que é conhecido por ser explosivo, já tiveram episódios parecidos em vários lugares. “As pessoas gostam de um show, não só aqui, mas em todo o circuito.”

Vale destacar que todos esses casos envolveram jogadores que atravessam momento ruim na temporada, lutando para encerrar o ano com alguma recuperação de forma — outro fator que pode favorecer a tensão nas quadras.

Gauff ainda comentou sobre como a repercussão nas redes sociais aumenta por ser em Nova York: “Muita coisa acontece no circuito regularmente, mas por ser aqui, no US Open, ganha mais visibilidade nas redes. Para quem é do tênis, não é surpresa nenhuma.”

Naomi, que não esteve envolvida em nenhuma polêmica durante o torneio, ainda brincou: “Não sei se é a parte do ano em que todos estão cansados e irritados, mas a verdade é que New York traz meu melhor comportamento. Não sei o que os outros estão fazendo.”

Em resumo, o US Open 2025 tem sido marcado por uma mistura explosiva de pressão, cansaço e o ambiente fervoroso da cidade que nunca dorme. Enquanto isso, fãs acompanham um tênis de altíssimo nível, mas também os momentos de drama e emoção que transformam o torneio num dos eventos mais eletrizantes e imprevisíveis da temporada.

Fonte: The Guardian