Alexander Bublik, tenista cazaque conhecido pelo seu estilo agressivo e imprevisível, teve uma temporada de altos e baixos que quase o fez abandonar o tênis. Em uma entrevista exclusiva para a Tennis Magazine, o jogador revelou que chegou a cogitar sua aposentadoria no começo deste ano, devido à pressão e ao medo de sair do top 100 do ranking mundial.

No ano passado, Bublik teve momentos brilhantes e outros desafiadores: venceu o ATP 250 de Montpellier ao derrotar Borna Coric, mas perdeu a final do ATP 500 de Dubai para Ugo Humbert. Depois disso, enfrentou muitas dificuldades para avançar nas competições, sofrendo derrotas precoces na maioria dos torneios. Essa fase difícil persistiu nos primeiros meses da temporada atual.

“Eu estava muito insatisfeito comigo mesmo no final da última temporada, e também no começo desta; cheguei a pensar em terminar a carreira porque tinha medo de sair do top 100 – isso mudaria tudo. Depois de Indian Wells, fui para Las Vegas por três dias para relaxar, mas na verdade, voltei ainda mais preocupado. Foi aí que comecei uma espécie de missão pessoal”, contou Bublik.

A virada começou no Aberto da França, onde alcançou as quartas de final e só foi eliminado por Jannik Sinner, que seria o vice-campeão do torneio. Depois, no ATP 500 de Halle, Bublik surpreendeu ao eliminar o campeão atual e quatro vezes vencedor de Grand Slam, antes de conquistar o título ao vencer Daniil Medvedev na final, encerrando um jejum de conquistas importantes.

“Procurei variar meu jogo e de repente me tornei muito mais consistente. Meu treinamento também evoluiu; por exemplo, melhorei bastante o forehand, especialmente no saibro. Ganhei confiança em torneios Challenger, lutando para voltar a subir no ranking”, explicou o tenista.

Após a vitória em Halle, Bublik ainda garantiu mais três títulos nesta temporada: no ATP 250 de Gstaad, na Suíça, ao bater Juan Manuel Cerúndolo; no ATP 250 de Kitzbühel, na Áustria, contra Arthur Cazaux; e no ATP 250 de Hangzhou, na China, onde venceu Valentin Royer, totalizando quatro títulos na temporada.

Um feito notável do cazaque é ter se tornado um dos três jogadores ativos a vencerem títulos em todas as superfícies – piso duro, saibro e grama – na mesma temporada, juntando-se a lendas como Novak Djokovic e Carlos Alcaraz. Bublik comentou sobre este marco: “Não sabia disso, mas confirma que estou no caminho certo. Meu objetivo agora é entrar no top 10. Seria um sonho realizar isso algum dia. Sinto que, se usar todo meu potencial e continuar trabalhando com foco, posso conseguir.”

Nesta temporada, Alcaraz teve uma performance impressionante, conquistando oito títulos em 11 finais, incluindo quatro no piso duro (Rotterdam, Cincinnati, US Open e Japão), três no saibro (Monte Carlo, Roma e Roland Garros) e um na grama (Queen’s Club). Já Djokovic alcançou as semifinais dos quatro Grand Slams e venceu dois títulos ATP 250.

Bublik termina o ano com seu melhor ranking na carreira, ocupando o 11º lugar, enquanto Djokovic está em 4º e Alcaraz encerrou como o número 1 do mundo, mesmo começando o ATP Finals como segundo colocado.

A trajetória de Bublik mostra como persistência, evolução constante e recuperação mental podem transformar uma temporada difícil em uma série de conquistas que podem lançar um jovem talento ainda mais para o estrelato no tênis mundial.

Fonte: First Sportz