Wimbledon é, sem dúvida, um dos torneios mais tradicionais e prestigiados do tênis mundial, conhecido por suas quadras de grama, que são um verdadeiro ícone do esporte. Embora a grama tenha sido a superfície dominante no circuito há algumas décadas, hoje ela ocupa apenas uma pequena parte do calendário. E talvez seja esse o charme do All England Club: ser um dos poucos grandes torneios a manter essa tradição viva.

Mas com uma superfície tão única, vêm problemas únicos — aqueles que não aparecem em quadras de saibro ou piso duro. Quase nove anos atrás, dois dos maiores astros do tênis moderno, Andy Murray e Novak Djokovic, expressaram a mesma reclamação sobre a grama sagrada de Wimbledon.

O que aconteceu em 2017?

Na edição de 2017, Murray chegou ao torneio como campeão vigente, pronto para defender seu título diante de concorrentes fortíssimos como Novak Djokovic e Roger Federer. Federer, aliás, acabou levando o título após vencer Marin Čilić na final. Mas, durante todo o torneio, mais do que o desempenho dos jogadores ou as partidas emocionantes, o assunto que dominou os bastidores e a mídia foi a condição das quadras.

O calor intenso daquele verão inglês havia deixado a grama mais seca e escorregadia, algo perigoso para os atletas que precisavam manter equilíbrio e velocidade nos golpes. Murray comentou sobre a situação: “Há vários pontos na quadra, pouco atrás e na frente da linha de base, onde há montinhos de grama, quase como pequenos buracos. O calor está muito forte, condições extremas, e praticamente não choveu. Não sei se isso afetou, mas acho que a quadra está sofrendo um pouco cedo demais.”

Djokovic também confirmou o que se falava nos corredores: “Ouvi muitos comentários dos jogadores, principalmente nas quadras externas. Dá para sentir uma diferença na grama, que estava mais macia em alguns pontos, dentro e fora da linha de base. Nunca tinha sentido isso em Wimbledon antes, para ser sincero.”

Alterações nas quadras de Wimbledon ao longo dos anos

Wimbledon não é o único torneio que mudou sua superfície com o tempo. Desde o início dos anos 2000, o All England Club começou a usar uma grama mais resistente, que mudou completamente o estilo de jogo tradicionalmente visto por lá. Antes, o jogo era muito focado em saque e voleio, uma estratégia que funcionava muito bem na quadra de grama.

Com a nova grama, jogadores mais pacientes, como Djokovic e o jovem fenômeno espanhol Carlos Alcaraz, passaram a se beneficiar com ralis mais longos, tornando as partidas mais intensas e emocionantes.

Essa transformação também foi influenciada pela evolução da tecnologia das raquetes e das cordas, que facilitam o retorno de saques potentes e dificultam o estilo agressivo de ataque próximo à rede.

Aliás, essa não é uma questão exclusiva de Wimbledon. Até o próprio Roger Federer comentou, recentemente, que as quadras no circuito têm ficado mais lentas, favorecendo jogadores com a qualidade de Alcaraz, que vem colecionando finais contra o italiano Jannik Sinner.

Wimbledon segue, assim, como um torneio que respeita sua tradição, mas não deixa de se adaptar às mudanças do tênis moderno. E a grama, apesar de suas particularidades e desafios, continua sendo parte fundamental da magia que torna esse Grand Slam tão especial.

Fonte: Tennishead