Um dos nomes mais respeitados do tênis mundial, Andy Murray, passou por uma fase complicada no relacionamento com seu irmão Jamie, parceiro nas duplas, que chegou a ficar semanas sem se falar diretamente. Apesar do silêncio, ambos não pouparam alfinetadas por meio da imprensa na época.

Hoje é difícil imaginar que os irmãos Murray já tiveram rusgas tão intensas, mas em 2008, Jamie, especialista em duplas, ficou bastante irritado quando Andy desistiu de um compromisso com a equipe britânica na Copa Davis – um dos torneios por equipes mais importantes do tênis, onde países competem uns contra os outros.

Naquela primeira rodada de 2008, a Grã-Bretanha enfrentaria a Argentina. Andy, então em ascensão na carreira, confirmou que não participaria pois temia piorar uma lesão no joelho. Jamie precisou então jogar com Ross Hutchins, substituto de última hora, e o time britânico acabou eliminado precocemente pelo que viria a ser o vice-campeão do torneio.

Em entrevista na época, Jamie não escondeu a decepção: “A decisão dele foi decepcionante. Isso meio que afeta a forma como nos sentimos em relação a ele. Pelo que li, ele não disse claramente que está machucado, parece mais uma medida preventiva. Acredito que, se ele realmente quisesse se esforçar, poderia ter vindo para a partida. Para mim e para o time foi um choque, não sabia que ele tinha algum problema. A decisão foi dele e, do ponto de vista dele, acho que não tem do que se desculpar.”

Jamie ainda destacou o talento do irmão: “Se ele estivesse aqui, teria dado trabalho, pois tem capacidade para vencer partidas de simples. Ele é um jogador de nível mundial, já esteve no top 10, e isso não foi por acaso. Acho que ele até gosta de jogar quando a torcida está contra, porque rende mais nessas situações.”

Mas a troca de farpas não parou por aí. Andy, que se aposentou em 2023, revidou, chegando a criticar o desempenho inferior do irmão nas partidas de simples, o que trouxe a discussão para o lado pessoal.

Andy chegou a comentar que não tinha conversado com Jamie ainda, mas que logo isso aconteceria: “Foi um pouco decepcionante. Ele claramente se sentiu muito forte sobre o assunto e tem o direito de ter sua opinião. Talvez, se ele soubesse como é jogar três partidas de cinco sets seguidas no saibro, entenderia melhor minha posição. Acho que vamos precisar conversar para esclarecer nossos sentimentos sobre a Copa Davis e a situação que estou vivendo, mas provavelmente não será uma conversa muito divertida para ter com o irmão.”

Durante toda essa briga, a mãe dos dois e ex-treinadora, Judy Murray, certamente se encontrou numa posição difícil, tentando mediar os conflitos.

Felizmente, após cerca de duas semanas em que não se comunicaram diretamente, a situação foi resolvida, e hoje a relação dos irmãos Murray parece mais forte do que nunca.

Prova disso é que a última partida de Andy em Wimbledon, torneio considerado a casa do britânico, foi ao lado de Jamie. Isso aconteceu depois que Emma Raducanu, que faria dupla mista com Andy, desistiu, encerrando prematuramente sua participação na temporada de 2023 no famoso torneio no All England Club.

A história dos irmãos Murray mostra que, mesmo em meio a atritos e mal-entendidos, o talento e o vínculo familiar podem prevalecer, fortalecendo uma das duplas mais conhecidas do tênis mundial.

Fonte: Wales Online