O saibro de Roland Garros ainda nem esfriou e a temporada de grama já começou. No dia 7 de junho, enquanto a final masculina acontece em Paris entre Alexander Zverev e Flavio Cobolli, os primeiros torneios sobre grama natural já estão em andamento na Alemanha, nos Países Baixos e em Londres. Com Wimbledon marcado para começar em 29 de junho, as próximas três semanas serão decisivas para definir quem chega em forma ao Grand Slam mais tradicional do tênis. Este guia traz tudo o que você precisa saber sobre a transição do saibro para a grama, os torneios preparatórios e os principais nomes desta temporada.
O que muda do saibro para a grama?
A transição do saibro para a grama é uma das adaptações mais difíceis do circuito. As quadras de grama são mais escorregadias e oferecem menos atrito, fazendo com que a bola deslize em vez de quicar alto. O resultado: pontos mais rápidos, com menos trocas de bola da linha de base e uma vantagem natural para jogadores com saque potente e jogo de rede apurado.
Enquanto no saibro o quique é alto e previsível — ideal para trocas longas e golpes com muito efeito —, na grama a bola quica baixo e rápido, beneficiando quem sabe cortar e variar o ritmo. Por isso, muitos jogadores que brilham no saibro enfrentam dificuldades na grama, e vice-versa. Jogadores como Taylor Fritz, Alexander Bublik e Nick Kyrgios têm estilos que se encaixam perfeitamente na superfície mais rápida.
Stuttgart: a temporada de grama 2026 começa com o Boss Open
O ATP 250 de Stuttgart, oficialmente chamado de Boss Open, é disputado entre 8 e 14 de junho na cidade alemã e marca o início da temporada de grama no circuito masculino. O atual campeão é Taylor Fritz, que venceu Jack Draper na final de 2025. A chave deste ano traz um elenco de peso, com Alexander Zverev (número 3 do mundo), Ben Shelton (6), Taylor Fritz (7) e Alexander Bublik (10) como principais cabeças de chave.
Nick Kyrgios, ex-número 13 do mundo e finalista de Wimbledon em 2022, está de volta após quase três anos afastado das quadras de grama. O australiano recebeu um convite (wildcard) e enfrenta o francês Corentin Moutet na primeira rodada, num duelo de estilos contrastantes. Kyrgios também jogará duplas ao lado de Alexander Bublik, prometendo mais espetáculo ao torneio.
Uma dúvida que paira sobre Stuttgart é a participação de Zverev e Cobolli, já que ambos disputam a final de Roland Garros no mesmo 7 de junho. Caso optem por descansar, nomes como Tommy Paul, Learner Tien e Jiri Lehecka surgem como candidatos ao título.
Outra história que chama atenção é a parceria entre Andy Murray e Jack Draper. O ex-número 1 do mundo e tricampeão de Grand Slams se juntou à equipe técnica de Draper para a temporada de grama, após o britânico se separar do técnico Jamie Delgado. Draper, que se recupera de uma lesão no joelho, deve voltar a competir em Stuttgart ou no Queen’s.
WTA na grama: Serena Williams volta em Queen’s
No feminino, a temporada de grama começa com dois torneios na mesma semana (8 a 14 de junho): o Libéma Open em ‘s-Hertogenbosch (WTA 250) e o HSBC Championships em Queen’s Club, Londres (WTA 500).
O grande destaque é o retorno de Serena Williams. A lenda de 44 anos, 23 vezes campeã de Grand Slams, aceitou um convite para jogar duplas em Queen’s ao lado da canadense Victoria Mboko, número 9 do mundo. Serena não atua profissionalmente desde o US Open de 2022. "Queen’s Club parece o lugar perfeito para começar este novo capítulo", disse Serena em comunicado.
O torneio de Queen’s também anunciou wildcards para as britânicas Katie Boulter, Harriet Dart, Francesca Jones e a jovem Mika Stojsavljevic. No Lexus Birmingham Open, a filipina Alexandra Eala, sensação da temporada, confirmou presença na chave principal e já avançou às quartas de final.
Halle e Eastbourne: últimos ajustes antes de Wimbledon 2026
Entre 15 e 22 de junho, o ATP 500 de Halle (Terra Wortmann Open) e o ATP 250 de Eastbourne tomam o centro das atenções. Halle é historicamente o principal preparatório para Wimbledon no circuito masculino, com quadras de grama que mais se aproximam das condições do All England Club. O atual campeão é Alexander Bublik, que busca o bicampeonato na Alemanha.
Na mesma semana, o WTA 500 de Berlim também entra no calendário feminino, oferecendo mais uma oportunidade de adaptação à grama antes de Wimbledon. Serena Williams, que começou sua volta em Queen’s, também confirmou presença em Berlim, segundo informações divulgadas no início de junho.
Eastbourne recebe torneios ATP e WTA simultaneamente entre 21 e 28 de junho, servindo como o último teste antes do Grand Slam londrino. Em 2025, Taylor Fritz venceu o ATP e Madison Keys levou o WTA.
Wimbledon 2026: um novo cenário sem Alcaraz
Wimbledon acontece entre 29 de junho e 13 de julho e chega com uma novidade que muda completamente as projeções: Carlos Alcaraz está fora. O bicampeão (2023 e 2024) sofreu uma lesão no punho direito durante o Barcelona Open em abril e não se recuperou a tempo. Além de Wimbledon, Alcaraz também perdeu Roland Garros e todo o saibro europeu.
Com Alcaraz ausente, Jannik Sinner surge como o grande favorito. O italiano, atual número 1 do mundo e campeão de Wimbledon em 2025, abriu odds de -280 nas casas de apostas, indicando uma confiança esmagadora em seu bicampeonato. Novak Djokovic aparece como segundo favorito (+700), seguido por Alexander Zverev (+1100). João Fonseca, que vem fazendo uma temporada de destaque, aparece com odds de +3500.
No feminino, Aryna Sabalenka lidera as odds (+275), seguida por Iga Swiatek (+320) e Elena Rybakina (+400), campeã em 2022. A atual campeã é Swiatek, que venceu o torneio em 2025.
A temporada de grama promete emoções do início ao fim. Com nomes consagrados voltando às quadras, jovens talentos em ascensão e a ausência de um dos grandes nomes da nova geração, o cenário está aberto para histórias surpreendentes. De Stuttgart a Wimbledon, cada ponto na grama contará uma história diferente.
