O dia 30 de junho de 2026 ficará marcado na história de Wimbledon. Serena Williams, 44 anos, 23 títulos de Grand Slam em simples e sete conquistas na grama sagrada do All England Club, voltou a pisar na Quadra Central para uma partida de simples após quatro anos de ausência. Do outro lado da rede, uma australiana de 20 anos, vinda de 11 derrotas consecutivas, ocupando o 87º lugar do ranking mundial, sem nada a perder. O resultado foi a maior zebra do torneio até agora: Maya Joint venceu por 6-3, 6-7(6), 6-3 — a maior vitória em simples de sua nascente carreira.
A partida que parou Wimbledon
Serena Williams entrou em quadra sob uma ovação de pé. Era sua primeira partida de simples em um Grand Slam desde o US Open de 2022, quando anunciou que estava "se afastando do tênis" para se dedicar à família e aos negócios. A heptacampeã de Wimbledon recebeu um wild card para a chave de simples e, na terça-feira (30), enfrentaria a australiana Maya Joint, nascida nos Estados Unidos mas que representa a Austrália desde 2023.
O primeiro set foi dominado por Joint. A australiana quebrou o saque de Serena no terceiro game e confirmou a vantagem até fechar em 6-3, com uma consistência impressionante no fundo de quadra. Serena, visivelmente sem ritmo de jogo, errou mais do que o habitual.
No segundo set, a campeã de 23 Grand Slams mostrou lampejos do tênis que a tornou lendária. Salvou pontos de quebra com saques potentes e forçou o tie-break. No desempate, Serena salvou um match point e venceu por 8-6, levando a decisão para o terceiro set. A Quadra Central vibrava, e parecia que o roteiro da volta triunfal estava sendo escrito.
Mas Maya Joint não se abalou. A jovem australiana manteve a calma, quebrou o saque de Serena no quarto game do set decisivo e administrou a vantagem com maturidade de uma veterana. Fechou a partida em 6-3 no terceiro set, consolidando a vitória mais expressiva de sua carreira. A australiana caiu na grama, emocionada, enquanto Serena acenava para a plateia em lágrimas, deixando em aberto se aquela foi sua última partida em Wimbledon.
Quem é Maya Joint?
Nascida em Grosse Pointe, Michigan, em 16 de abril de 2006, Maya Joint é filha de Michael Joint, um australiano que jogou squash profissionalmente, e Katja Joint, alemã que praticava tênis, squash e badminton. A família se mudou para a Austrália em 2025, quando Mick aceitou um cargo de treinador no Melbourne Cricket Club.
Maya começou a jogar tênis no jardim de infância — literalmente: ela batia bolinhas com o pai usando uma raquete de squash. Aos 17 anos, optou por representar a Austrália, país do pai, e se mudou para Brisbane para treinar na Academia Nacional da Tennis Australia, ao lado de nomes como Kim Birrell e Ajla Tomljanović.
Joint é uma das jovens mais promissoras do circuito. Em fevereiro de 2026, alcançou o 28º lugar do ranking mundial, seu auge na carreira. Tem dois títulos WTA em simples: Rabat 2025 (saibro) e Eastbourne 2025 (grama), e dois títulos de duplas. Em Madrid 2025, tornou-se a australiana mais jovem a vencer uma partida em WTA 1000, quebrando um recorde que pertencia a Ashleigh Barty.
Sua trajetória, no entanto, não tem sido linear. Em 2024, precisou abrir mão de US$ 140 mil em prize money do US Open para manter sua elegibilidade NCAA — uma decisão que o ex-número 1 Andy Roddick chamou de "absurda". Em dezembro de 2024, Joint anunciou que se tornaria profissional, abrindo mão da vaga na Universidade do Texas.
Em 2026, ela viveu um início de ano difícil: foi cabeça de chave no Australian Open (a primeira australiana desde Ash Barty), mas perdeu na primeira rodada para Tereza Valentová. Acumulou 11 derrotas consecutivas no circuito WTA e caiu para o 87º lugar do ranking — até chegar a Wimbledon e escrever o capítulo mais importante de sua carreira.
O retorno de Serena Williams
Serena Williams voltou ao circuito em junho de 2026, após quase quatro anos afastada. Disputou o HSBC Championships no Queen’s Club ao lado da canadense Victoria Mboko, de 19 anos, vencendo uma partida antes de Mboko se retirar com lesão. Depois, caiu na rodada de abertura do Open de Berlim para Karolina Muchova.
Aos 44 anos, Serena não precisa jogar por dinheiro. Com patrimônio estimado em US$ 400 milhões, ela é a atleta feminina mais rica da história — acumulou cerca de US$ 620 milhões em ganhos totais na carreira, entre premiações e patrocínios. Em 2026, faturou US$ 50 milhões apenas com acordos fora das quadras, com marcas como Nike, Wilson, Audemars Piguet, Heineken e a plataforma de saúde Ro.
Seu retorno a Wimbledon teve um significado emocional. Serena buscaria o 24º título de Grand Slam em simples, igualando o recorde absoluto de Margaret Court. Também está inscrita nas duplas ao lado da irmã Venus, com quem formou uma das parcerias mais vitoriosas da história do tênis.
"Ser uma atleta no mais alto nível é a melhor coisa que você pode ser, e ter a oportunidade de ainda poder fazer isso, possivelmente uma última vez, é bem legal e empolgante", disse Serena antes do torneio.
O que esperar de Maya Joint em Wimbledon 2026
Com a vitória sobre Serena, Maya Joint avançou para a segunda rodada de Wimbledon pela primeira vez na carreira. Em 2025, ela perdeu na estreia para Liudmila Samsonova. Agora, com a confiança renovada após quebrar uma sequência de 11 derrotas, a australiana tem a chance de fazer uma campanha histórica.
Joint tem um jogo que se adapta bem à grama. Prova disso foi seu título em Eastbourne 2025, quando salvou quatro match points na final contra Alexandra Eala, mostrando a resiliência que repetiu contra Serena. Seu saque não é o mais potente do circuito, mas sua consistência e capacidade de ler o jogo a tornam perigosa para qualquer adversária.
Uma noite de zebras em Wimbledon
A eliminação de Serena não foi a única surpresa do dia em Wimbledon. O americano Ben Shelton, número 5 do mundo, também caiu na primeira rodada, derrotado pelo finlandês Otto Virtanen, vindo do qualifying, em uma batalha de cinco sets. O resultado escancarou a imprevisibilidade desta edição do Grand Slam sobre grama.
Nas arquibancadas, celebridades como Niall Horan (ex-One Direction), Bad Bunny (que assistiu ao jogo no camarote de Novak Djokovic) e David Beckham prestigiaram o segundo dia de competição, em um Wimbledon que combina tradição centenária com o brilho de novas estrelas.
Maya Joint chegou a Wimbledon como uma jovem em busca de identidade no circuito. Saiu da Quadra Central como o nome que o mundo do tênis precisa conhecer. Aos 20 anos, com uma raquete Yonex na mão e o apoio da Red Bull, a "Ginger Ninja" australiana mostrou que, no tênis, o ranking não joga — quem joga é o coração.
