Pela primeira vez na temporada, um Masters 1000 começa sem Jannik Sinner, Carlos Alcaraz e Novak Djokovic. O National Bank Open apresentado por Rogers, disputado no IGA Stadium, em Montreal, de 2 a 13 de agosto de 2026, reúne a chave mais aberta dos últimos anos — e a análise dos caminhos dos principais favoritos mostra por que essa edição pode reservar grandes surpresas antes do US Open.

O primeiro Masters 1000 sem as três maiores estrelas

O sorteio da chave principal do Canadian Open ATP foi realizado no dia 31 de julho, com o qualifying no dia 1º de agosto e o início do torneio marcado para 2 de agosto. A edição de 2026 é a 136ª do torneio, que oferece uma premiação total de US$ 9.415.725, com US$ 1.151.420 e 1.000 pontos para o campeão.

A grande novidade desta temporada é a ausência tripla no topo do circuito. O número 1 do mundo, Jannik Sinner, o espanhol Carlos Alcaraz, que segue se recuperando de uma lesão no punho, e o sérvio Novak Djokovic desistiram do torneio, assim como Alexander Bublik e Alejandro Davidovich Fokina. Com isso, Montreal recebe o primeiro Masters 1000 do ano sem as três maiores estrelas — e o primeiro em que Sinner, vencedor dos cinco primeiros torneios da categoria nesta temporada, não estará presente.

Com a chave expandida para 96 jogadores, os 32 cabeças de chave receberam bye na primeira rodada e estreiam diretamente na segunda. O formato protege os principais nomes de confrontos precoces, mas também concentra a dificuldade nas fases finais — onde as surpresas desta edição devem acontecer.

Zverev é o favorito, mas tem um caminho desconfortável

Cabeça de chave nº 1 e número 2 do mundo, Alexander Zverev chega como o principal favorito ao título. O alemão, campeão do torneio em 2017, estreia contra o vencedor do confronto entre Lorenzo Sonego e Tallon Griekspoor, e pode encontrar Matteo Arnaldi na terceira rodada. Arnaldi, 30º cabeça de chave, vem de uma campanha de semifinalista em Roland Garros nesta temporada, mas ainda não venceu nenhuma partida no piso duro em 2026.

O teste mais perigoso, porém, pode vir na quarta rodada: Francisco Cerúndolo, que já derrotou Zverev três vezes na carreira, ainda que todas no saibro. Com dificuldade avaliada em 4 de 5, o caminho do favorito até as quartas de final é mais desconfortável do que parece — mesmo assim, Zverev segue com a melhor chance de avançar às oitavas entre todos os candidatos.

Auger-Aliassime em casa tem a chave mais aberta

Nenhum jogador tem mais a ganhar nesta semana do que Félix Auger-Aliassime. Número 4 do mundo e segundo cabeça de chave, o canadense joga em casa com boa parte das maiores estrelas ausentes — e recebeu um dos sorteios mais favoráveis do torneio.

Ele estreia contra Luca Van Assche ou um qualifier, pode enfrentar Brandon Nakashima (28º cabeça) na terceira rodada e Frances Tiafoe ou Arthur Rinderknech nas oitavas. Nas quartas, o provável adversário é Flavio Cobolli, considerado o mais vulnerável entre os oito primeiros cabeças de chave. A dificuldade de sua chave é 3 de 5 — uma das mais baixas do torneio, ao lado de Taylor Fritz. Apesar disso, Auger-Aliassime tem apenas uma vitória nas suas últimas três participações no Canadian Open, e seu melhor resultado foi uma vaga nas quartas de final em 2022.

Fritz e de Minaur: caminhos opostos em busca do primeiro título

Taylor Fritz, sétimo cabeça de chave, recebeu uma das aberturas mais tranquilas, com um possível duelo de terceira rodada contra o belga Raphaël Collignon. O problema está na segunda semana: nas oitavas, ele pode cruzar com os compatriotas Learner Tien ou Tommy Paul, e nas quartas um provável encontro com Zverev. Fritz dominou o histórico recente contra o alemão, com sete vitórias consecutivas, até ser superado por ele nas quartas de final de Wimbledon nesta temporada.

Alex de Minaur, terceiro cabeça de chave e finalista do torneio em 2023, tem uma das seções mais imprevisíveis da chave. Ele estreia contra James Duckworth ou um qualifier, mas a partir da terceira rodada a dificuldade aumenta com Ignacio Buse (29º) ou Cameron Norrie, e nas oitavas o australiano pode encontrar Valentin Vacherot (14º), Arthur Fils (18º), Denis Shapovalov ou Matteo Berrettini. Apesar da chave difícil, avaliada em 4 de 5, de Minaur venceu sete dos seus últimos oito jogos no torneio.

Shelton defende o título no caminho mais difícil

Campeão em 2025, quando conquistou o seu primeiro título de Masters 1000 ao vencer Karen Khachanov na final em Toronto, Ben Shelton terá a defesa de título mais complicada de Montreal. O americano, quinto cabeça de chave, abre sua campanha contra Jenson Brooksby e pode enfrentar Zizou Bergs na terceira rodada.

O desafio maior, porém, aparece nas oitavas: na mesma seção estão Casper Ruud (9º cabeça) e o brasileiro João Fonseca (22º cabeça), que se enfrentariam na terceira rodada para decidir o adversário do campeão. Com dificuldade máxima de 5 em 5, Shelton precisa passar pelos dois para repetir o feito de 2025.

Medvedev e a chave mais brutal do torneio

Daniil Medvedev, quarto cabeça de chave e campeão em Montreal em 2021, além de finalista em 2019, recebeu o sorteio mais duro entre os favoritos. O russo abre contra Giovanni Mpetshi Perricard ou Botic van de Zandschulp, dois especialistas em saque, em seu primeiro torneio no piso duro em meses.

Na terceira rodada, Alejandro Tabilo (25º) ou Hubert Hurkacz o aguardam; nas oitavas, o campeão pode cruzar com Karen Khachanov, vice-campeão em 2025, ou Jakub Mensik, com Jack Draper na mesma seção. Com dificuldade 5 de 5, a experiência de Medvedev não o descarta, mas nenhum dos candidatos enfrenta uma primeira semana tão exigente.

João Fonseca: o caminho do brasileiro em Montreal

Único brasileiro na chave principal, João Fonseca, número 27 do mundo e 22º cabeça de chave, também recebeu o bye e estreia diretamente na segunda rodada. O jovem de 19 anos caiu na seção do defensor do título: após a estreia, o provável duelo de terceira rodada é contra Casper Ruud, com um eventual encontro com Ben Shelton nas oitavas de final caso avance.

A seção de Fonseca reúne três cabeças de chave de alto nível, o que torna o caminho desafiador, mas também oferece ao brasileiro a chance de um grande resultado diante da chave mais aberta da temporada — uma vitória o colocaria no centro das atenções a duas semanas do US Open.

Destaques da primeira rodada

A primeira rodada reserva ainda confrontos de peso. O francês Gaël Monfils, que recebeu wild card e planeja se aposentar após a temporada, enfrenta o polonês Kamil Majchrzak em sua última aparição no torneio. Já o britânico Jack Draper, também com wild card, tenta recuperar o ritmo após uma temporada marcada por lesões contra Térence Atmane. Entre os canadenses, Gabriel Diallo, Liam Draxl e Alexis Galarneau completam a lista de wild cards locais.

O qualifying também já definiu nomes importantes: Stefanos Tsitsipas garantiu vaga na chave principal ao vencer o canadense Keegan Rice por 6-3 e 6-4. Com Sinner, Alcaraz e Djokovic ausentes, Montreal está mais aberto do que nunca — e o jogador que melhor sobreviver aos primeiros testes pode emergir como o grande campeão da semana, com o US Open batendo à porta no fim de agosto.