A australiana Priscilla Hon está vivendo seu melhor momento no tênis. Depois de duas décadas no circuito e várias dificuldades pelo caminho, a jogadora de 27 anos surpreendeu ao eliminar a poderosa russa e top 20 do mundo Liudmila Samsonova na terceira rodada do US Open, um dos quatro torneios Grand Slam da temporada. O duelo emocionante terminou com parciais de 4-6, 6-3 e 6-2 para Hon, que conquistou sua vaga entre as 32 melhores pela primeira vez na carreira.
Antes deste torneio, Priscilla não vencia uma partida na chave principal de qualquer Grand Slam desde o Australian Open de 2020, quando derrotou a francesa Leolia Jeanjean na primeira rodada. Desde então, sua trajetória foi marcada por desafios físicos e emocionais, incluindo uma grave lesão no ombro esquerdo durante a pandemia de COVID-19. A atleta rompeu o labrum e sofreu uma distensão na cápsula articular, uma lesão tão séria que os médicos a compararam com acidentes de moto, chegando a duvidar se ela voltaria a jogar tênis profissional.
Não bastasse a recuperação da lesão, Priscilla ainda enfrentou a dor de perder seu técnico e grande apoiador, Anthony Richardson, que faleceu de câncer no início de 2023. Hon já o considerava como um segundo pai e carrega a motivação de honrar sua memória dentro de quadra.
Apesar das dificuldades, a tenista nunca desistiu e voltou ao circuito profissional cerca de nove meses após a lesão. Até então, seu ranking mais alto tinha sido o 118º do mundo, e ela chegou ao US Open ocupando a 126ª posição. Porém, contra todas as probabilidades, Hon deu um show contra Samsonova, impondo um jogo agressivo e preciso: aplicou 18 aces, 36 winners e cometeu menos erros não forçados que a adversária (23 a 30).
O momento decisivo veio no quinto game do terceiro set, quando Samsonova cedeu o break após uma sequência de duplas faltas e um erro de forehand, permitindo que a australiana se distanciasse no placar. Hon aproveitou o momento, marcou winners consecutivos e garantiu a vitória surpreendente, que é até o momento o maior triunfo da carreira da jogadora.
A vitória impulsiona Priscilla Hon para perto de sua estreia no top 100 do ranking mundial, algo que poderá ser confirmado se vencer sua próxima partida contra a americana Ann Li, 58ª do mundo, que por sua vez acabou de bater a suíça Belinda Bencic, 16ª cabeça de chave do torneio e semifinalista em Wimbledon.
Vale lembrar que Hon já havia dado sinais de seu talento ao superar a então número 17 do mundo, a tcheca Petra Kvitova, campeã duas vezes em Wimbledon, em uma partida noturna realizada em Brisbane, na preparação para o Australian Open de 2022. Embora não tenha alcançado ainda todo o potencial previsto para ela quando era uma das melhores juvenis do mundo – tendo sido top 15 no circuito juvenil –, esta campanha no US Open pode representar o início de uma nova fase na carreira da australiana.
Durante todo o jogo, a torcida de Nova York apoiou fervorosamente Hon, especialmente no Court 10 de Flushing Meadows, criando um clima praticamente de festa, com um fã vibrante que incentivava a plateia com o lema “Pri time!” (hora da Pri).
Além dela, outros australianos participam do US Open, mas nem todos tiveram o mesmo sucesso: Jordan Thompson foi eliminado na segunda rodada pelo francês Adrian Mannarino, enquanto os demais atletas da Austrália continuam em disputa e devem entrar em quadra na sexta-feira pelo horário local.
Essa vitória histórica confirma que Priscilla Hon é uma jogadora a ser observada e pode surpreender ainda mais no circuito internacional.
Fonte: Sydney Morning Herald