Enquanto Wimbledon 2026 acontece em Londres com grandes emoções na grama do All England Club, que tal conhecer as histórias, tradições e recordes que fazem deste torneio o mais especial do calendário do tênis mundial? Em sua 149ª edição, o campeonato completa 149 anos de história — e o que não faltam são curiosidades para surpreender até mesmo os fãs mais apaixonados.
As origens: como tudo começou
Wimbledon foi criado em 1877, quando o All England Lawn Tennis and Croquet Club organizou a primeira competição de tênis da história. A chave de simples masculina tinha apenas 22 participantes, e a final foi assistida por cerca de 200 espectadores, que pagaram um xelim cada para ver Spencer Gore tornar-se o primeiro campeão do torneio.
O torneio cresceu rapidamente. Em 1884, foram adicionadas as chaves de simples feminino e duplas masculinas. Já em 1913, as duplas femininas e as duplas mistas passaram a fazer parte da competição. Wimbledon é o único dos quatro Grand Slams disputado em quadras de grama — uma tradição que se mantém até hoje e que exige um tipo de jogo completamente diferente dos demais torneios.
Recordes que entraram para a história
Roger Federer detém o recorde de títulos de simples masculino, com oito troféus conquistados entre 2003 e 2017. No feminino, Martina Navratilova é a maior campeã, com nove títulos de simples. A lendária tenista tcheco-americana também é a recordista absoluta de troféus em Wimbledon, com 20 conquistas somando simples, duplas e duplas mistas.
Bjorn Borg venceu Wimbledon sem perder um único set em 1976 — o último jogador a conseguir essa façanha. O sueco conquistou cinco títulos consecutivos, marca que divide com Roger Federer. Já Boris Becker entrou para a história como o mais jovem campeão de todos os tempos: em 1985, levantou o troféu aos 17 anos e 227 dias.
A partida mais longa da história do tênis aconteceu em Wimbledon. Em 2010, John Isner e Nicolas Mahut jogaram por 11 horas e 5 minutos ao longo de três dias, com Isner vencendo por 70-68 no quinto set. Falando em Isner, o norte-americano também detém o recorde de aces numa única edição: 214 em 2018.
Tecnologia e inovação na tradição
Apesar de ser conhecido por suas tradições seculares, Wimbledon também abraçou a tecnologia. Em 2009, a Quadra Central recebeu um teto retrátil, que leva apenas 10 minutos para ser fechado em caso de chuva. A estrutura ampliou a capacidade para 15 mil espectadores. Dez anos depois, foi a vez da Quadra 1 ganhar seu próprio teto retrátil.
Em 2025, Wimbledon deu um passo importante ao substituir todos os juízes de linha por marcação eletrônica. Desde então, todas as decisões de linha em todas as quadras são feitas pelo sistema eletrônico, garantindo maior precisão nas chamadas.
O tiebreak foi introduzido no torneio em 1971, mas apenas para os quatro primeiros sets. Em 2019 e 2021, o tiebreak passou a ser usado no quinto set se este atingisse 12 a 12. A partir de 2022, a ITF uniformizou a regra: todos os Grand Slams passaram a adotar o tiebreak de 10 pontos em eventual 6 a 6 no quinto set.
Tradições e curiosidades de Wimbledon que encantam o mundo
Wimbledon é famoso por suas tradições únicas. Uma das mais saborosas é o consumo de morangos com creme: durante as duas semanas do torneio, o público devora cerca de 30 toneladas de morangos e 100 mil sorvetes. Outra tradição centenária é a parceria com a Slazenger, que fornece as bolas oficiais desde 1902 — a mais longa da história do esporte.
O All England Club mantém um número restrito de membros: apenas 375. Todos os campeões do torneio tornam-se "sócios honorários", e há outros 100 membros temporários selecionados anualmente. Cada sócio tem direito a dois ingressos diários para o torneio.
Em 1937, Wimbledon foi o primeiro torneio de tênis a ser televisionado ao vivo. E a última vez que um tenista usou raquete de madeira na competição foi em 1987 — uma verdadeira relíquia dos primórdios do esporte.
Mudanças recentes e o futuro
O torneio passou por transformações importantes nos últimos anos. Em 2020, Wimbledon foi cancelado pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, devido à pandemia de COVID-19. Em 2021, o ranking de grama, que servia de base para definir os cabeças de chave no masculino, foi descontinuado.
Em 2022, uma tradição secular caiu: o "Middle Sunday" — o domingo do meio das duas semanas de competição — passou a ter rodadas normais. Antes, este era um dia de descanso obrigatório.
O qualificatório de Wimbledon não acontece no All England Club. Para evitar o desgaste da grama, as três rodadas são disputadas em Roehampton, no clube do Banco da Inglaterra. Já a premiação não para de crescer: em 2026, o total é de £ 64.200.000, com o campeão de simples levando £ 3.600.000.
Curiosidades e fatos surpreendentes de Wimbledon
O saque mais veloz já registrado em Wimbledon pertence a Giovanni Perricard, que em 2025 disparou uma bola a 153 mph (246 km/h). No feminino, o recorde é de Venus Williams: 129 mph (207 km/h), estabelecido em 2008.
O Brasil também tem seu (curioso) lugar na história do torneio. Em 1957, a tenista brasileira Maria Helena Amorim cometeu 17 duplas faltas consecutivas na abertura de seu jogo de segunda rodada contra a holandesa L. B. E. Thung. O nervosismo foi tanto que Amorim perdeu a partida por 6/3, 4/6 e 6/1.
Wimbledon é muito mais do que um torneio de tênis — é um pedaço vivo da história do esporte, onde tradição e inovação caminham lado a lado. Da grama perfeita aos morangos com creme, dos 8 títulos de Federer ao saque de 246 km/h de Perricard, cada edição escreve um novo capítulo nessa história fascinante. E você, qual dessas curiosidades mais surpreendeu?
