Desde 2016, protótipos como o Drone-ovic sinalizaram uma nova via para treinos de tênis: utilizar drones para variar ângulos de queda, simular situações de jogo e captar imagens aéreas para análise técnica. Para quem busca formas inovadoras de treinar saques, smashes e precisão — amadores, treinadores e atletas de alto rendimento — o conceito de um drone para treinamento de tênis abre possibilidades diferentes das máquinas de lançar bola tradicionais e dos treinos em dupla.

O que é o Drone-ovic e como ele funciona
O Drone-ovic é um protótipo apresentado em 2016 pelo grupo Virgin Active com a proposta de ser um drone para treinamento de tênis (ver anúncio original na Mashable: https://mashable.com/article/drone-improves-tennis-training). A ideia era simples e ao mesmo tempo inovadora: permitir que uma aeronave remota pairasse sobre a quadra e liberasse bolas de tênis a partir de diferentes alturas e ângulos — algo dificilmente reproduzido por ball machines convencionais. O protótipo também vinha equipado com uma câmera 4K para registrar o movimento do atleta a partir de cima, oferecendo material para análise tática e técnica (detalhes adicionais em Robotic Gizmos: https://www.roboticgizmos.com/drone-ovic-4k-tennis-drone/).

Na prática, o mecanismo demonstrado utilizava um engate fino que segurava a bola; quando programado, esse engate se desprendia e a bola caía com trajetória controlada. Em demonstrações, um fio fino era perceptível prendendo a bola até o momento da soltura. Com isso, treinadores podem recriar lobs altos, saques que forçam o jogador a saltar e smashs a partir de diferentes ângulos — cenários de difícil reprodução com máquinas fixas.

Benefícios do drone para treinamento de tênis em saques e smashes
1) Maior variação de ângulo e altura
- Um drone pode liberar bolas verticalmente de cima para baixo ou em ângulos oblíquos, simulando lobs profundos, saques altos e situações de smash que exigem ajuste de tempo e colocação. Essa variabilidade treina o atleta para ler a bola em distintas alturas e trajetórias.
2) Treino de reflexos, deslocamento e recuperação
- A soltura de bolas em pontos distintos obriga respostas rápidas dos pés e do tronco, aprimorando reflexos, mudaça de direção e capacidade de recuperação após o golpe.
3) Visão aérea para análise técnica
- Imagens gravadas em 4K ou alta resolução oferecem ao treinador uma perspectiva única sobre alinhamento corporal, momento de impacto, ângulo da raquete e coordenação do corpo inteiro — informações que ajudam a corrigir detalhes biomecânicos.

4) Simulação mais próxima da aleatoriedade do jogo
- Ao variar pequenas diferenças entre quedas (tempo, posição, ângulo), drones tornam os drills menos previsíveis do que uma máquina que repete padrões idênticos — beneficiando o aprendizado situacional.
5) Possibilidades para treinos criativos
- É possível criar exercícios específicos: soltar bolas altas sobre a rede para forçar smashs em ângulos agudos; drops curtos para trabalhar recuperação e segundo saque; sequências combinadas que alternam velocidade e colocação.
Comparação com máquinas de bola tradicionais
Máquinas de bola (ball machines) como Lobster, Spinshot e Playmate continuam sendo ferramentas essenciais por sua capacidade de oferecer repetição, controlar velocidade, spin e intervalos. São ideais para automatizar padrões técnicos (por exemplo, repetição de forehands e condicionamento de swing). Porém, para quem pensa em adotar um drone para treinamento de tênis, é importante entender as diferenças:
- Previsibilidade vs. variabilidade: máquinas entregam repetições constantes, essenciais para consolidação técnica. Drones introduzem variabilidade espacial e vertical, aproximando os treinos da imprevisibilidade de um adversário.
- Limitação vertical: a maioria das máquinas não reproduz com naturalidade quedas vindas de cima (lobs altos) ou ângulos de entrada muito inclinados; o drone pode oferecer essa dimensão.
- Logística e operação: máquinas exigem transporte e espaço, mas são simples de operar. Drones são mais móveis, porém demandam operador qualificado, manutenção, baterias extras e atenção a condições meteorológicas.
Em resumo, o drone para treinamento de tênis deve ser visto como complemento — use máquinas para repetir e automatizar fundamentos; use drones para trabalhar timing, leitura de bola e situações dinâmicas.
Como usar drones no seu treino diário: dicas práticas
Segurança e regulamentação
- Antes de operar qualquer drone em treinos com pessoas, verifique a regulamentação local. No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) publica regras e orientações para uso de drones (consulte: https://www.gov.br/anac/pt-br/assuntos/drones-ou-rpas). Além das normas, considere seguros de responsabilidade civil, autorização do clube e sinalização para a presença do equipamento.
Comece devagar e com exercícios controlados
- Inicie com quedas verticais sobre a linha de fundo para treinar smashs básicos e, conforme confiança, evolua para ângulos oblíquos e sequências com mudanças de posição e tempo.
Integre vídeo e análise
- Combine a captura aérea do drone com câmeras ao nível do solo e, quando possível, softwares simples de análise de vídeo. Revisar imagens ajuda a identificar falhas em postura, momento de salto e plano de raquete — informações valiosas para correções táticas e biomecânicas.
Mescle com máquinas de bola
- Uma sessão eficiente pode alternar séries de máquina (para ajustar padrões repetitivos) com séries de drone (para treinar adaptação e leitura). Esse mix potencializa tanto controle técnico quanto capacidade de lidar com situações imprevisíveis.
Trabalho em equipe: operador e treinador
- Tenha sempre um operador de drone experiente e um treinador definindo os padrões de soltura. A comunicação direta entre operador e treinador reduz riscos e maximiza o aproveitamento do treino.
Planejamento logístico
- Drones têm autonomia limitada por bateria: planeje sessões curtas, carregue baterias extras e evite voar em ventos fortes que comprometam precisão na soltura.
Alternativas acessíveis de drones para tênis no Brasil
Adaptar drones comerciais
- Alguns modelos comerciais (por exemplo, linhas DJI Mini ou Air) podem ser adaptados com kits de liberação para soltar objetos leves. Atenção: modificações podem invalidar garantia, exigir certificações específicas e devem obedecer à regulamentação.
Aluguel de operadores e serviços locais
- Em capitais e grandes cidades há empresas de filmagem por drone e operadores que prestam serviços por hora. Alugar equipamento com operador é uma alternativa prática para clubes que querem testar o método sem investir em compra.
Kits DIY e projetos comunitários
- Grupos de makers e entusiastas de FPV frequentemente desenvolvem mecanismos simples de soltura. Esses projetos são úteis para prototipagem, mas exigem cuidados extras com segurança e conformidade legal.
Combinar com máquinas acessíveis
- Para a maioria dos atletas recreacionais, manter uma ball machine simples e alugar o drone ocasionalmente para drills pontuais costuma ser a solução com melhor custo-benefício.
Custos e disponibilidade
- Máquinas de bola novas variam de preços moderados a altos, conforme recursos (spin, capacidade de múltiplas funções etc.). Drones prontos para filmagem têm modelos básicos com preços acessíveis, mas adaptar o drone para soltura e contratar operador eleva o custo. Por isso, aluguel por sessão costuma ser a opção mais adotada por academias e clubes no Brasil.
Evidências científicas e contexto tecnológico
A convergência entre captura de vídeo, sensores e técnicas de inteligência artificial tem avançado no esporte e traz apoio teórico ao uso de ferramentas como drones. Pesquisas sobre aplicação de machine learning em otimização de desempenho no tênis apontam para benefícios da análise de dados e vídeo para recomendações individualizadas (por exemplo, estudos publicados na MDPI: https://www.mdpi.com/2076-3417/14/13/5517). Embora não existam ainda estudos controlados publicamente avaliando especificamente a eficácia de drones que soltam bolas em treinos (como o protótipo Drone-ovic) em grande escala, os princípios de variação de estímulos e feedback visual são bem respaldados na literatura sobre aquisição de habilidade esportiva.
Limitações e recomendações finais
- Protótipo histórico: o Drone-ovic foi uma prova de conceito apresentada em 2016; não há evidência pública de comercialização massiva posterior. Evite assumir disponibilidade imediata do equipamento como produto standard. (Fontes: Mashable e Robotic Gizmos citadas acima.)
- Segurança: falhas mecânicas, queda de objetos e operação próxima de pessoas demandam cautela. Respeite normas e tenha seguro quando aplicável.
- Custo-benefício: para muitos jogadores e clubes, a combinação de máquina de bola, treinador e treinos com parceiro continua sendo mais eficiente financeiramente. Drones agregam valor em treinamentos específicos e como ferramenta para análise aérea.
O futuro do treinamento personalizado no tênis
O drone para treinamento de tênis está inserido em um movimento maior: a personalização do treino por meio de tecnologia — câmeras, sensores, análise de vídeo e IA. Ao oferecer variabilidade situacional, visão aérea e dados que podem ser integrados a sistemas de análise, drones prometem acelerar a curva de aprendizado em saques e smashes para quem tiver acesso à ferramenta. Espera-se que, com o amadurecimento técnico e regulatório, surjam soluções comerciais integradas (hardware + software) voltadas a clubes, academias e serviços de aluguel, tornando o treino com drone parte do ecossistema tecnológico do tênis.
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