Em agosto de 2026, o tênis se prepara para reverenciar o jogador que mais encantou gerações. Roger Federer completou 45 anos no dia 8 de agosto e, menos de três semanas depois, será oficialmente integrado ao International Tennis Hall of Fame, em Newport, nos Estados Unidos — a consagração definitiva de uma carreira que redefiniu o esporte dentro e fora das quadras.

A cerimônia acontece no sábado, 29 de agosto, e marca o encerramento de uma temporada de homenagens que começou ainda em 2025, quando o suíço foi eleito em seu primeiro ano de elegibilidade. Neste artigo, você acompanha os números que fizeram de Federer um dos maiores de todos os tempos, os detalhes da semana de celebração em Newport e o que o maestro suíço tem feito desde que pendurou a raquete.

Aos 45 anos, um agosto de celebrações

O aniversário de 45 anos de Roger Federer, em 8 de agosto, não passou em branco. A ATP, entidade que rege o circuito masculino, homenageou o suíço publicando um compilado com 45 pontos de backhand do ex-número 1 do mundo — uma escolha simbólica para o dono de um dos revés mais icônicos da história do esporte.

A celebração, porém, vai muito além das redes sociais. Menos de três semanas depois do aniversário, Federer entra oficialmente para o rol de lendas do Hall da Fama do Tênis. Ele é um dos oito homens que conquistaram os quatro Grand Slams ao longo da carreira — o chamado Career Grand Slam — e será homenageado ao lado da comentarista Mary Carillo, eleita na categoria contribuinte.

A eleição foi anunciada em novembro de 2025, e Federer foi o único candidato a receber apoio suficiente no critério de jogadores para a Classe de 2026. A regra do Hall determina que um atleta pode ser considerado após cinco anos afastado do circuito e precisa ser aprovado por 75% do grupo de votação, que reúne mídia, historiadores, líderes da indústria, membros do Hall e fãs.

Os números de Roger Federer: uma carreira de recordes

Para entender a dimensão da homenagem, basta olhar o currículo do suíço. Federer encerrou a carreira com 20 títulos de Grand Slam em simples: oito em Wimbledon — recorde entre os homens no torneio —, seis no Australian Open, cinco no US Open e um em Roland Garros, conquistado em 2009 e que completou sua coleção de majors.

O primeiro título de Grand Slam veio em Wimbledon, em 2003. Seis anos depois, na mesma grama do All England Club, ele quebrou o então recorde de Pete Sampras, de 14 majors, ao vencer Andy Roddick na final de 2009 por 16-14 no quinto set. O 20º título, que por muito tempo o isolou no topo da história, chegou no Australian Open de 2018.

Fora dos Grand Slams, os números seguem impressionantes. Federer venceu 103 títulos de simples na ATP e 1.251 partidas — marcas superadas no tênis masculino apenas por Jimmy Connors, que soma 109 títulos e 1.274 vitórias. Ele ainda conquistou seis títulos de ATP Finals e 28 de Masters 1000, além de oito troféus de duplas.

O domínio do ranking também entrou para os livros: foram 310 semanas como número 1 do mundo, com um recorde de 237 semanas consecutivas no topo. Entre 2005 e 2007, Federer alcançou 10 finais de Grand Slam consecutivas — vencendo oito — e chegou a 18 finais de majors em 19 edições, com sequências de 23 semifinais e 36 quartas de final. O próprio Novak Djokovic chamou esses números de "resultados que não pareciam humanos".

A semana de Newport: o que esperar da cerimônia no Hall da Fama

A indução oficial acontece no sábado, 29 de agosto, às 18h30 (horário do leste dos Estados Unidos), na Horseshoe Court, a quadra histórica do International Tennis Hall of Fame, em Newport, Rhode Island. A cerimônia terá transmissão exclusiva do Tennis Channel.

Mas a celebração começa dias antes, numa programação que trata o suíço como estrela principal. Na sexta-feira, 28 de agosto, Federer deve voltar às quadras no Hall of Fame Celebrity Pro Classic, apresentado pela Fidelity Investments, na Stadium Court — sobre a grama que ele dominou durante boa parte da carreira. Na quinta-feira, o evento Courting Fashion, apresentado pela Chubb, apresenta os looks icônicos do suíço ao longo da carreira, além de peças inéditas dos arquivos do Hall.

A semana ainda inclui o Fame Fest e o Festival de Food Trucks, nos dias 28 e 29, com atividades abertas ao público, e o Fit for Fame, na sexta-feira, quando os novos integrantes recebem o blazer oficial da Brooks Brothers.

Uma despedida que emocionou o mundo

A trajetória competitiva de Federer terminou de forma emblemática. Seu último torneio profissional foi Wimbledon 2021, quando caiu nas quartas de final diante do polonês Hubert Hurkacz — aos 39 anos, um mês antes de completar 40. O anúncio oficial da aposentadoria veio no ano seguinte, na Laver Cup, em Londres, evento fundado pela sua empresa de gestão.

A despedida, em setembro de 2022, produziu uma das imagens mais marcantes da história recente do esporte: Federer jogou sua última partida ao lado de Rafael Nadal, em duplas, e os dois rivais de uma era sentaram-se lado a lado, de mãos dadas, com lágrimas nos olhos.

A rivalidade com Nadal, aliás, ajudou a definir a chamada "era de ouro" do tênis. O duelo de 2008 em Wimbledon, vencido pelo espanhol após 4h48 de partida, é considerado por muitos o maior jogo já disputado. Anos depois, os dois transformaram a rivalidade em amizade: Federer participou da homenagem a Nadal em Roland Garros em 2025 e chegou a escrever uma carta ao amigo quando ele anunciou a aposentadoria.

Além das quadras: o legado do maestro

Fora das quadras, Federer construiu um legado que extrapola o esporte. Ele acumulou mais de US$ 130 milhões em prêmios, venceu o Stefan Edberg Sportsmanship Award 13 vezes e foi eleito o Favorito dos Fãs da ATP por 19 anos consecutivos. Representou a Suíça com destaque: ouro olímpico em duplas nos Jogos de Pequim, em 2008, ao lado de Stan Wawrinka, prata em simples em Londres 2012 e a primeira Copa Davis da história do país, em 2014, com vitória sobre a França na decisão.

A Roger Federer Foundation, criada pelo suíço, apoia programas educacionais para crianças na África Austral e na Suíça — um trabalho que segue em pleno ritmo. Em dezembro, ele participará do "One Last Backhand", a despedida de Stan Wawrinka em Genebra, ao lado de Andy Murray e Gaël Monfils, com renda revertida para sua fundação.

A vida pessoal, hoje, gira em torno da família. Casado com Mirka Vavrinec desde abril de 2009, Federer é pai de quatro filhos: as gêmeas Myla e Charlene, e os gêmeos Leo e Lenny. Ainda neste ano, ele também deve retornar ao US Open para uma exibição em Arthur Ashe Stadium, ao lado de nomes como Andy Roddick, Andre Agassi e John McEnroe.

Aos 45 anos, Roger Federer não compete mais — mas segue no centro do mundo do tênis. A entrada no Hall da Fama, em 29 de agosto, é o reconhecimento mais formal de uma trajetória que milhões de fãs já consideravam imortal.