O Gstaad Open 2026, tradicional ATP 250 disputado na Roy Emerson Arena aos pés dos Alpes suíços, chega às semifinais neste sábado com um quadro repleto de histórias. O dia de quartas de final, na sexta-feira, 17 de julho, foi marcado por uma verdadeira hecatombe entre os cabeças de chave do Gstaad Open: os quatro primeiros favoritos foram eliminados, abrindo caminho para nomes como Stefanos Tsitsipas, Juan Manuel Cerúndolo e duas surpresas em busca da primeira final ATP.
Gstaad Open 2026: dia de surpresas na Roy Emerson Arena
Nenhum dos quatro primeiros cabeças de chave sobreviveu à sexta-feira em Gstaad. O atual campeão Alexander Bublik (#11 do mundo) caiu na segunda rodada para o francês Quentin Halys (#90), numa partida que havia sido suspensa pela chuva na quinta-feira. Halys venceu por 6-7(4), 6-4, 7-6(5) com uma atuação impecável no saque: venceu 92% dos pontos com o primeiro serviço (46 de 50), segundo dados do Infosys ATP Stats. O francês não conseguiu, porém, repetir o feito nas quartas de final, caindo diante de Alexander Shevchenko por 7-6(5), 6-3.
O norueguês Casper Ruud (#12, cabeça #2), bicampeão do torneio (2021 e 2022), também foi surpreendido. O argentino Juan Manuel Cerúndolo (#45) virou o jogo contra Ruud por 3-6, 7-5, 6-2 em 2h15 de partida. O terceiro favorito, Valentin Vacherot (#20), perdeu para o belga Raphaël Collignon em uma batalha de três sets: 7-6(7), 4-6, 7-5. Já Arthur Rinderknech (#28, cabeça #4) foi superado por Stefanos Tsitsipas: 6-3, 3-6, 6-3.
Cerúndolo repete dose e elimina Ruud de novo
Juan Manuel Cerúndolo está se tornando uma pedra no sapato de Casper Ruud em Gstaad. O argentino canhoto de 24 anos já havia eliminado o norueguês nas quartas de final de 2025, e repetiu o feito exatamente um ano depois. Ruud liderava por 4-2 no segundo set e parecia ter o controle da partida, mas Cerúndolo devolveu a quebra e virou o jogo de forma impressionante.
"Coloquei toda minha energia para tentar me sentir bem", disse Cerúndolo na entrevista em quadra. "Ele estava jogando melhor, uma quebra à frente com o vento a favor. Ele cometeu talvez dois erros para que eu pudesse voltar no segundo set. O break point foi inacreditável. Então consegui vencer o game e comecei a jogar muito bem."
Esta não é a primeira grande zebra que Cerúndolo protagoniza em 2026. Em maio, no saibro de Roland Garros, ele salvou uma desvantagem de dois sets e uma quebra dupla para derrotar o número 1 do mundo, Jannik Sinner. O argentino é o único jogador a ter derrotado Ruud em Gstaad — e agora soma duas vitórias sobre o norueguês no torneio suíço.
Tsitsipas volta às semifinais após quase um ano
Stefanos Tsitsipas, que recebeu um wildcard para disputar o torneio, voltou a mostrar o tênis que o levou ao top 5 do ranking mundial. Atualmente na 80ª posição da ATP, o grego de 27 anos avançou às semifinais pela primeira vez desde que conquistou o título de Dubai em fevereiro de 2025.
A campanha de Tsitsipas em Gstaad incluiu vitórias consistentes sobre Ignacio Buse (6-4, 6-4) na primeira rodada, Arthur Rinderknech (3-6, 6-3, 6-3) nas quartas, e uma batalha de três sets contra o suíço Jérôme Kym na segunda rodada (4-6, 7-5, 7-6). Kym, wildcard local de 22 anos, foi a grande sensação do torneio e levou o grego ao limite, forçando um tie-break no terceiro set antes de ceder.
"Tsitsipas venceu a partida no detalhe", escreveu a ATP em seu relatório sobre o jogo. O grego mostrou solidez nos momentos decisivos, algo que vinha lhe faltando nas últimas temporadas.
Collignon e Shevchenko: a vez dos novatos
Raphaël Collignon, da Bélgica, e Alexander Shevchenko, do Cazaquistão, completam o quadro de semifinais. Ambos buscam a primeira final da ATP em suas carreiras.
Collignon, de 24 anos e atual #42 do mundo, eliminou três adversários duros: Timofey Skatov (3-6, 7-6, 6-4), Lorenzo Sonego (7-6, 7-6) e o cabeça #3 Valentin Vacherot em mais de duas horas de partida (7-6, 4-6, 7-5). O belga ainda não perdeu um set de forma contundente — todas as suas vitórias vieram em jogos apertados, demonstrando consistência nos tie-breaks.
Shevchenko (#96) teve um percurso mais direto: passou por Alexandre Muller (6-3, 3-6, 6-4), Dominic Stricker (7-6, 6-2) e Quentin Halys (7-6, 6-3). O cazaque de 24 anos chegou a Gstaad vindo do qualifying e já garantiu um salto no ranking com a vaga entre os quatro melhores.
A despedida de Wawrinka e o brilho de Kym
A 58ª edição do Swiss Open entrou para a história como o palco da despedida de Stan Wawrinka. Aos 41 anos, o tricampeão de Grand Slam jogou sua última partida em território suíço na primeira rodada, caindo para o português Jaime Faria por 6-7(8), 6-4, 6-4 em 2h38. Wawrinka sacou 16 aces, mas não aproveitou nenhuma das seis chances de break que teve. Os organizadores presentearam o suíço com um par de esquis como lembrança simbólica de sua trajetória.
Jérôme Kym, jovem de 22 anos que recebeu wildcard, foi a revelação local. Depois de vencer Daniel Dietrich na primeira rodada em uma partida de três tie-breaks (7-6, 2-6, 7-6), Kym quase eliminou Tsitsipas na segunda rodada. Sua performance reacendeu a esperança de uma nova geração do tênis suíço.
O que esperar das semifinais
As semifinais, marcadas para sábado, 18 de julho, com ingressos já esgotados, prometem confrontos emocionantes. Shevchenko enfrenta Tsitsipas em uma partida que coloca o favoritismo do lado grego, mas o cazaque já demonstrou que pode surpreender. Do outro lado da chave, Cerúndolo duela com Collignon: dois jogadores em ascensão, sendo que o argentino leva vantagem na experiência em finais (vice em Gstaad 2025).
A grande final será disputada no domingo, 19 de julho, no mesmo horário. Quem levantar o troféu levará €93.175 e 250 pontos no ranking, além de um lugar na história do torneio mais antigo da Suíça — e o oitavo mais antigo do mundo.
Para o fã brasileiro, resta acompanhar a reta final do torneio pelos canais ESPN e Disney+, entre o início da manhã e o começo da tarde no horário de Brasília. Enquanto os gigantes do tênis mundial descansam após Wimbledon, Gstaad mostra que o futuro do circuito está em boas mãos.
