A lista oficial de inscritos do US Open 2026, divulgada na semana de 22 de julho, confirmou o que o torcedor brasileiro tanto esperava: João Fonseca está na chave principal do último Grand Slam da temporada. Atual 28º do ranking ATP, o carioca de 19 anos não apenas garantiu vaga direta em Flushing Meadows como pode, pela primeira vez na carreira, ser cabeça de chave nos quatro Grand Slams de um mesmo ano. O torneio será disputado entre 30 de agosto e 13 de setembro nas quadras duras do USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Nova York.

De campeão juvenil a profissional: a trajetória de João Fonseca em NY

Há três anos, João Fonseca vivia um dos momentos mais marcantes de sua jovem carreira nas mesmas quadras de Nova York. Em setembro de 2023, ainda com 17 anos, o brasileiro conquistou o título do US Open juvenil ao derrotar o americano Learner Tien de virada por 4/6, 6/4 e 6/3, na Quadra 11 de Flushing Meadows. A campanha o levou ao topo do ranking mundial juvenil e acendeu o alerta no tênis internacional sobre o surgimento de um novo talento brasileiro.

De lá para cá, a evolução foi impressionante. Em 2026, Fonseca já disputou como cabeça de chave os três primeiros Grand Slams da temporada — Australian Open, Roland Garros e Wimbledon. Em Paris, alcançou as quartas de final e protagonizou uma das maiores zebras do ano ao derrotar Novak Djokovic em uma partida épica. "Na hora da vitória, eu não conseguia acreditar. Estava apenas curtindo o momento. Quando vi meu time, só conseguia abraçá-los e pensar: ‘O que aconteceu aqui?’", disse o brasileiro em entrevista à ESPN.

Em Wimbledon, Fonseca caiu na terceira rodada diante do russo Roman Safiullin por 3 sets a 0, com parciais de 6/3, 6/3 e 6/3. Apesar da derrota, o brasileiro viu evolução em seu jogo na grama e somou pontos importantes para manter sua posição no top 30 do ranking.

A rota de preparação para o US Open 2026

Para chegar em boa forma a Nova York, João Fonseca traçou um planejamento cuidadoso. Em entrevista à ESPN, ele revelou que não disputará o ATP 500 de Washington (27 de julho a 2 de agosto), optando por passar mais tempo no Brasil treinando ao lado de sua equipe.

A preparação para a quadra dura norte-americana terá dois Masters 1000 como pilares: Montreal (National Bank Open, entre 1º e 13 de agosto) e Cincinnati (Western & Southern Open, de 13 a 23 de agosto). "O plano é jogar Montreal, Cincinnati, descansar uma semana e disputar o US Open. Não vou jogar Washington porque quero ficar um pouco mais de tempo no Brasil", explicou Fonseca, em declarações publicadas pelo Tennishead.

A estratégia faz sentido. Fonseca tem apenas 110 pontos a defender durante toda a gira norte-americana, o que significa que qualquer campanha consistente nos Masters 1000 e no US Open representa uma oportunidade real de subir posições no ranking. Depois de Nova York, ele ainda enfrentará uma longa temporada asiática, que inclui torneios importantes como Xangai.

Cenário do Grand Slam: os favoritos e a chave

O US Open 2026 promete uma das chaves mais fortes dos últimos anos. Jannik Sinner, bicampeão de Wimbledon após vencer Alexander Zverev na final, chega como um dos grandes favoritos ao título em Nova York. O italiano vive o melhor momento da carreira e busca seu primeiro título no US Open.

Carlos Alcaraz, atual campeão do torneio, está confirmado na chave principal. O espanhol retorna ao circuito após quatro meses afastado por uma lesão no punho direito e tentará defender os pontos conquistados em 2025. Alexander Zverev, Novak Djokovic e Holger Rune (que garantiram vaga direta na chave) completam o grupo de estrelas que darão ao torneio um nível altíssimo de competitividade.

Para Fonseca, a chave ainda será definida, mas sua condição de potencial cabeça de chave (entre os 32 melhores do ranking) lhe garante não enfrentar outro cabeça antes da terceira rodada — um alívio significativo para quem busca avançar à segunda semana de um Grand Slam pela segunda vez na carreira.

O que esperar de João Fonseca no US Open 2026

João Fonseca chega a Nova York em um momento distinto de sua carreira. Não é mais a promessa que surpreendeu o mundo ao vencer Djokovic em Roland Garros — é um jogador estabelecido no top 30, com expectativas reais de avanço. Sua participação na exibição "Stars of the Open", ao lado de Alex Eala, Iva Jovic e Learner Tien (seu velho conhecido da final juvenil de 2023), mostra que a organização do torneio também reconhece seu valor como uma das atrações da nova geração.

Nick Kyrgios, em entrevista ao Bola Amarela, resumiu o sentimento de muitos analistas: "Fonseca tem potencial para ganhar vários Slams." O australiano, que enfrentou o brasileiro no UTS Rio, conhece de perto o talento do carioca.

Para o torcedor brasileiro, o US Open 2026 representa a chance de ver João Fonseca escrever mais um capítulo de sua ascensão. Seja como cabeça de chave ou não, o fato é que o Brasil volta a ter um representante competitivo em Grand Slams — algo que não se via desde os tempos de Gustavo Kuerten. A campanha em Nova York começará no final de agosto, e o país estará de olho.