O National Bank Open de 2026 chega com um cenário inédito no lado masculino: pela primeira vez em anos, o ATP Masters 1000 de Montreal acontecerá sem os três maiores nomes do tênis mundial. Jannik Sinner, número 1 do mundo, e Novak Djokovic, dono de 24 títulos de Grand Slam, anunciaram suas desistências no dia 24 de julho, juntando-se a Carlos Alcaraz, que já estava fora por lesão. Enquanto isso, do lado feminino, Toronto promete um espetáculo à parte com Aryna Sabalenka liderando um field repleto de estrelas.

As desistências que chacoalharam Montreal

O ATP Masters 1000 de Montreal, que começa em 1º de agosto no IGA Stadium, sofreu um golpe duplo em 24 de julho. Sinner e Djokovic confirmaram que não participarão, ambos citando a necessidade de gerenciar a carga de trabalho e priorizar a saúde para chegar em boa forma ao US Open, que começa em 31 de agosto.

Sinner vinha de uma campanha histórica em 2026. Com um impressionante cartel de 44 vitórias e apenas 3 derrotas, o italiano conquistou seis títulos na temporada, incluindo Wimbledon e cinco vitórias consecutivas em torneios Masters 1000. Sua desistência em Montreal encerra qualquer chance de conquistar todos os Masters 1000 do circuito em uma única temporada — um feito que parecia ao alcance de suas raquetes.

A decisão do italiano veio acompanhada de uma declaração oficial: "Depois de considerar cuidadosamente todos os fatores junto com minha equipe, tomamos a difícil decisão de não jogar em Montreal. Nunca é fácil perder um evento tão importante, mas acreditamos que esta é a decisão certa para priorizar minha saúde."

Djokovic, que também disputou as semifinais de Wimbledon em 10 de julho, seguiu o mesmo caminho. O sérvio de 39 anos, que segue em busca do 25º título de Grand Slam, optou por um período de descanso maior entre a temporada de grama e a gira norte-americana de quadras duras.

Alcaraz já estava fora desde abril, quando sofreu uma lesão no punho que o impediu de disputar Roland Garros e Wimbledon. Com isso, as três maiores estrelas do ATP Tour estarão ausentes de Montreal.

O novo panorama do National Bank Open em Montreal

Com as desistências, Alexander Zverev assume a posição de cabeça de chave número 1. O alemão, que venceu Roland Garros em junho para conquistar seu primeiro título de Grand Slam, chega a Montreal com a chance concreta de conquistar seu segundo título canadense.

Félix Auger-Aliassime, a grande esperança canadense, será o segundo cabeça de chave. O tenista de 25 anos jogar em casa sempre parece trazer o melhor de seu tênis.

Para outros jogadores do circuito, a ausência dos gigantes abre uma janela rara. Nomes como Andrey Rublev, Casper Ruud, Taylor Fritz e Holger Rune veem em Montreal uma oportunidade de ouro para somar pontos valiosos e ganhar confiança antes do US Open.

Calendário ATP: o debate reaceso pelas desistências em Montreal

As desistências em massa reacenderam a discussão sobre o calendário do circuito profissional. Desde que a ATP estendeu os torneios Masters 1000 para duas semanas — uma reforma que gerou mais receitas com ingressos e transmissão —, as críticas dos jogadores só aumentaram.

A organizadora do torneio de Montreal, Valerie Tetrault, manifestou apoio às decisões dos atletas: "Estamos obviamente muito desapontados que Jannik e Novak não se juntarão a nós em Montreal este ano. Respeitamos suas decisões e entendemos que, com um calendário tão exigente, a saúde dos jogadores deve ser a prioridade."

A situação é ainda mais significativa porque os organizadores haviam aumentado o intervalo entre Wimbledon e o Canadian Open de duas para três semanas justamente para evitar esse cenário. Mesmo assim, as desistências se repetiram, assim como em 2025, quando o mesmo trio também ficou de fora.

Toronto: o WTA 1000 que promete emoção

Do outro lado da fronteira, o cenário é bem diferente. O WTA 1000 de Toronto, que acontece entre 2 e 13 de agosto no Sobeys Stadium, tem um field de primeira linha. A número 1 do mundo Aryna Sabalenka, bicampeã consecutiva do US Open, encabeça uma lista de 96 jogadoras que inclui 72 das 75 melhores do ranking da WTA.

Elena Rybakina, número 2 do mundo, e Iga Swiatek, terceira colocada, também estarão em Toronto, formando um trio de peso. A norte-americana Jessica Pegula, bicampeã do torneio em 2023 e 2024, busca o tricampeonato.

A campeã de 2025, Victoria Mboko, não poderá defender o título. A jovem canadense de Burlington sofreu uma lesão no joelho esquerdo durante o HSBC Championships em junho e foi forçada a se retirar. Mboko havia derrotado quatro campeãs de Grand Slam na campanha do título no ano passado, incluindo Naomi Osaka na final em Montreal.

Quatro ex-campeãs do torneio estão no campo: Pegula (2023, 2024), Elina Svitolina (2017), Belinda Bencic (2015) e Bianca Andreescu (2019). Andreescu, de Mississauga, Ontario, recebeu um wild card e jogará em casa pela primeira vez desde 2022. A canadense de 26 anos vinha de uma série de lesões, mas conseguiu se classificar para o primeiro Grand Slam em quase dois anos em Wimbledon, onde perdeu na primeira rodada para a chinesa Zhang Shuai.

O que esperar da temporada norte-americana

O National Bank Open marca o pontapé inicial da gira norte-americana de quadras duras, que culmina no US Open em Flushing Meadows. Depois de Montreal e Toronto, o circuito segue para Cincinnati (Masters 1000) antes do último Grand Slam do ano.

Sabalenka, que busca o tricampeonato consecutivo em Nova York, lidera a lista de inscritas do US Open divulgada em 21 de julho. A bielorrussa tenta se tornar a primeira mulher a conquistar três US Open seguidos desde Serena Williams (2014-2016). Coco Gauff (campeã em 2024), Iga Swiatek (2022), Naomi Osaka (2018, 2020) e Emma Raducanu (2021) também estão inscritas.

Para os homens, o US Open terá a difícil missão de superar o burburinho de Wimbledon 2026, que coroou Sinner e Linda Noskova como campeões. Sem Sinner e Djokovic em Montreal, a atenção se volta para Cincinnati como o último grande teste antes de Nova York.

O National Bank Open de 2026 pode não ter suas maiores estrelas do lado masculino, mas isso não significa que faltem histórias para contar. Em Montreal, a chance de novos protagonistas surgirem. Em Toronto, a nata do tênis feminino promete um espetáculo à altura. A gira norte-americana de quadras duras está apenas começando — e promete muitas emoções até setembro.