Roland Garros 2026 está vivendo um momento que poucos esperavam: pela primeira vez desde o US Open de 2023, o torneio do Grand Slam terá um campeão masculino que não se chama Carlos Alcaraz nem Jannik Sinner. Com o espanhol afastado por lesão e o número 1 do mundo surpreendentemente eliminado na segunda rodada, a chave masculina na capital francesa está mais aberta do que em qualquer momento dos últimos dois anos. Surge uma nova janela para a história — e há candidatos à altura para aproveitá-la.

O fim de uma era: 9 Grand Slams consecutivos chegam ao fim

Para entender o peso do que acontece em Paris nesta semana, é preciso revisitar os números. De janeiro de 2024 ao Australian Open de 2026, Sinner e Alcaraz dividiram entre si nada menos que 9 títulos de Grand Slam consecutivos — uma sequência que só encontra paralelo em dois momentos anteriores da história do tênis masculino: a dupla Federer e Nadal, que conquistou 11 Slams seguidos entre 2006 e 2007, e a dobradinha Nadal e Djokovic, que somou 9 consecutivos entre 2010 e 2012.

Agora, essa era chegou ao fim de forma abrupta. O próximo campeão de Roland Garros será o primeiro fora do duopólio desde que Novak Djokovic levantou o troféu do US Open em 2023. A pergunta que o mundo do tênis faz neste 29 de maio é simples: quem vai ocupar esse espaço?

Carlos Alcaraz: o campeão ausente e a mensagem que emocionou o circuito

Carlos Alcaraz não estava mais nas arquibancadas de Roland Garros para defender o bicampeonato. Em abril de 2026, durante a primeira rodada do ATP de Barcelona, o espanhol sentiu uma dor no punho direito que mudou radicalmente a sua temporada. Exames médicos confirmaram a lesão e a decisão foi tomada: nada de Roland Garros, nada de Queen’s, nada de Wimbledon. Alcaraz abriu mão de toda a temporada no saibro parisiense e no circuito de grama.

O espanhol havia chegado a 2026 em grande forma. Em janeiro, conquistou o Australian Open, tornando-se o homem mais jovem da história a completar o Grand Slam de carreira — vencer todos os quatro Slams ao longo da vida profissional. Mas o punho o parou.

Antes de ver Sinner ser eliminado por Cerúndolo, Alcaraz tinha mandado uma mensagem que correu o mundo. Acompanhando a final do Masters 1000 de Roma pela televisão, com gelo no punho, o bicampeão de Roland Garros escreveu ao rival: "Às vezes eu acho que você ganha demais quando eu não estou lá. O circuito fica silencioso demais sem os nossos jogos. Eu volto logo… e espero que você ainda esteja me esperando aí."

A rivalidade entre os dois havia marcado a geração. Enquanto aguarda sua volta, o saibro de Paris terá que decidir um campeão sem ele.

Sinner eliminado em Roland Garros 2026: o calor de Paris derrubou o número 1 do mundo

Se a ausência de Alcaraz já havia aberto a chave masculina antes do torneio começar, a eliminação de Jannik Sinner na segunda rodada transformou Roland Garros 2026 num campeonato completamente imprevisível.

Na quinta-feira, 28 de maio, sob um calor sufocante na quadra Philippe-Chatrier, o número 1 do mundo vencia tranquilamente o argentino Juan Manuel Cerúndolo por 2 sets a 0, com parciais de 6-3 e 6-2. Então as cãibras chegaram. Sinner perdeu o controle do jogo e viu o argentino virar a partida: 7-5, 6-1 e 6-1 nos três sets seguintes. Resultado final: 3-6, 2-6, 7-5, 6-1, 6-1 para Cerúndolo, o maior upset do torneio até aqui.

Com os dois maiores favoritos fora da disputa, a chave masculina tornou-se um campo aberto para uma série de contendores que até então viviam à sombra do duopólio.

Alexander Zverev: o novo favorito absoluto

Com Sinner e Alcaraz eliminados, Alexander Zverev assumiu o posto de favorito número 1 nas casas de apostas, segundo o BetMGM. O alemão de 29 anos é o segundo cabeça de chave do torneio e chega a Paris em boa forma — na primeira rodada, registrou sua 550ª vitória no circuito profissional ao superar o francês Bonzi, segundo o site oficial de Roland Garros.

Zverev tem vasta experiência em Grand Slams e já chegou a finais de Majors, mas ainda não conquistou nenhum título nesta categoria. Roland Garros 2026 pode ser a sua oportunidade mais clara em anos.

Novak Djokovic: a lenda de 39 anos e a busca pelo 25º Grand Slam

Logo atrás de Zverev nas odds está Novak Djokovic. O sérvio de 39 anos, terceiro cabeça de chave e atual número 4 do ranking, tem motivações históricas para vencer em Paris: uma vitória lhe daria o 25º título de Grand Slam da carreira, tornando-o o único tenista da história a alcançar essa marca.

Djokovic já é tricampeão de Roland Garros e segue quebrando recordes mesmo ao entrar na parte final da carreira. Na segunda rodada, ao superar o francês Valentin Royer por 6-3, 6-2, 6-7(7) e 6-3, o sérvio registrou sua 21ª aparição consecutiva na terceira rodada de Roland Garros — um recorde. Além disso, tornou-se o primeiro tenista na história a disputar 120 partidas num único Grand Slam, superando a marca de Roger Federer em Wimbledon (119 partidas).

"A experiência ajuda muito. No calor do momento, você precisa dar tudo que tem e manter o foco em cada ponto", disse Djokovic após o duelo com Royer. Nesta sexta-feira, o sérvio enfrenta o brasileiro João Fonseca na terceira rodada — a partida mais aguardada do dia.

Casper Ruud: o especialista de saibro que já esteve tão perto

Entre os outros candidatos ao título, o norueguês Casper Ruud é quem carrega o histórico mais relevante no saibro parisiense. Finalista em 2022 — quando foi derrotado por Rafael Nadal — e novamente finalista em 2023, desta vez eliminado por Djokovic, Ruud sabe o que é chegar longe no torneio. O 15º cabeça de chave é um dos especialistas em saibro mais consistentes do circuito e pode aproveitar a ausência dos grandes favoritos para finalmente conquistar seu primeiro Grand Slam.

Rafael Jodar e Felix Auger-Aliassime: os outsiders com chance real

O torneio também conta com dois nomes menos óbvios entre os contendores. Felix Auger-Aliassime, quarto cabeça de chave e canadense de 25 anos, tem jogado bem e pode surpreender nas fases finais. Já Rafael Jodar, espanhol de apenas 19 anos e 27º cabeça de chave, chamou atenção como um dos nomes a seguir. Com Ben Shelton — que muitos apontavam como possível candidato americano — eliminado na segunda rodada pelo belga Raphael Collignon (6-4, 7-5, 6-4), o caminho foi aberto ainda mais.

O que esperar nas próximas fases de Roland Garros 2026

A terceira rodada começa nesta sexta-feira, 29 de maio, com destaque para Djokovic contra Fonseca e Zverev contra o francês Quentin Halys. As quartas de final estão marcadas para os dias 2 e 3 de junho, as semifinais para o dia 5 e a grande final masculina para o domingo, 7 de junho.

Roland Garros 2026 está escrevendo uma história nova. Depois de dois anos de domínio absoluto de Sinner e Alcaraz, Paris terá um campeão diferente — e a disputa para saber quem será esse nome promete ser uma das mais emocionantes que o tênis viu nos últimos anos.