Depois de quase quatro anos afastada das quadras, Serena Williams — dona de 23 títulos de Grand Slam em simples e considerada por muitos a maior tenista de todos os tempos — anunciou seu retorno ao tênis competitivo. Aos 44 anos, a norte-americana disputará o torneio de duplas do HSBC Championships, no histórico Queen’s Club de Londres, entre os dias 8 e 14 de junho de 2026. A parceira escolhida para esta nova etapa é a canadense Victoria Mboko, de apenas 19 anos, atual número 9 do mundo e fenômeno em ascensão. O anúncio, feito em 1 de junho, pegou o mundo do esporte de surpresa e reacendeu a esperança de ver Serena também em Wimbledon, que começa no dia 29 de junho.
O anúncio que parou o tênis mundial
No dia 1 de junho de 2026, Serena Williams publicou um vídeo nas redes sociais em que aparece saindo de uma quadra de tênis enquanto o celular vibrava com notificações. "Acho que todo mundo ficou sabendo da notícia", disse ela, com a legenda: "Notícias boas correm rápido". Minutos depois, o Queen’s Club confirmava: Serena havia recebido um wildcard para a chave de duplas do torneio.
A informação foi divulgada pela diretora do torneio, Laura Robson, durante transmissão da TNT Sports. "Queen’s Club parece o lugar perfeito para começar este próximo capítulo", afirmou Serena em comunicado oficial. "A grama me proporcionou alguns dos momentos mais significativos da minha carreira, e estou animada para voltar a competir em um dos palcos mais icônicos do esporte."
Quase quatro anos de espera
A última partida profissional de Serena havia sido no US Open de 2022, quando perdeu na terceira rodada para Ajla Tomljanovic. Na ocasião, ela anunciou que estava "evoluindo para longe do tênis", sem nunca usar a palavra "aposentadoria" — deixando a porta aberta para um eventual retorno.
Desde então, Serena dedicou-se à família — é mãe de duas filhas, Olympia (8 anos) e Adira (2 anos) —, participou de eventos como o Super Bowl LX ao lado de Kendrick Lamar e investiu em negócios. Mas o chamado das quadras falou mais alto. Em fevereiro de 2026, ela voltou a integrar o grupo de testes antidoping da WTA, um requisito obrigatório para quem deseja voltar a competir profissionalmente. Foram seis meses no pool de testagem até recuperar a elegibilidade em 22 de fevereiro.
Victoria Mboko: a parceira improvável
A escolha de Victoria Mboko como parceira de duplas foi recebida com entusiasmo. Mboko, nascida em Charlotte (EUA) mas criada no Canadá, é atualmente a número 9 do mundo em simples e a canadense mais bem colocada no ranking. Aos 19 anos, ela já conquistou dois títulos da WTA — incluindo o WTA 1000 do Canadian Open em 2025, quando derrotou Naomi Osaka na final — e foi eleita a Revelação do Ano (Newcomer of the Year) pela WTA.
Mboko não escondeu a emoção ao comentar a parceria. "Eu e Serena mantivemos contato, o que é muito especial, porque eu realmente a admiro. Ela é meu ídolo", disse a jovem em entrevista coletiva. "O simples fato de ela saber quem eu sou é muito empolgante."
A dinâmica entre a veterana de 44 anos e a jovem de 19 promete ser um dos grandes atrativos do torneio. Com estilos de jogo agressivos e saques potentes, a dupla reúne experiência e juventude em proporções quase cinematográficas.
O palco: Queen’s Club e a grama londrina
O HSBC Championships é um torneio WTA 500 disputado em quadras de grama no Queen’s Club, em West Kensington, Londres. O clube, fundado em 1889, recebe torneios de tênis há mais de 130 anos. O evento feminino retornou ao calendário da WTA em 2025, depois de mais de 50 anos de ausência, e rapidamente se consolidou como o principal preparatório para Wimbledon na grama europeia.
Com premiação de US$ 1,915 milhão e chave de 28 simples e 16 duplas, o torneio reúne algumas das principais jogadoras do circuito, incluindo Marta Kostyuk, Diana Shnaider e Iva Jovic — todas vindas de boas campanhas em Roland Garros. A chave de simples promete confrontos de alto nível, mas os olhos do mundo estarão voltados para Serena nas duplas.
O legado de uma lenda
Serena Williams não é apenas uma tenista: é um fenômeno cultural. Com 23 títulos de Grand Slam em simples — o maior número da Era Aberta e o segundo maior da história, atrás apenas de Margaret Court (24) —, ela também conquistou 14 títulos de Grand Slam em duplas ao lado da irmã Venus, todos com um cartel invicto em finais. São quatro medalhas olímpicas de ouro (uma em simples, três em duplas) e 319 semanas como número 1 do mundo.
Ela é a única tenista, homem ou mulher, a completar três Career Golden Slams — um em simples e dois em duplas. Acumulou mais de US$ 94 milhões em premiações, tornando-se a atleta feminina mais bem paga da história. Em 2015, foi eleita a Esportista do Ano pela Sports Illustrated. Em 2025, recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias dos Esportes.
Além dos números, Serena transformou o tênis. Ao lado de Venus, abriu caminho para uma nova geração de tenistas negras, inspirando Coco Gauff, Sloane Stephens, Madison Keys, Frances Tiafoe e Ben Shelton. "Serena e Venus disseram: ‘Posso ser eu mesma’", resumiu James Blake.
O que esperar desta volta
Serena retorna em um momento único. O tênis feminino vive uma era de profundidade e talento, com nomes como Aryna Sabalenka, Iga Swiatek, Coco Gauff e Elena Rybakina dominando o topo do ranking. A própria Mboko, sua parceira, representa essa nova geração que Serena ajudou a inspirar.
A dúvida que paira no ar é se Serena se limitará às duplas ou se arriscará também em simples. O Queen’s Club servirá como termômetro. Se o desempenho for positivo, Wimbledon — palco de sete de seus títulos de Grand Slam — pode ser o cenário do próximo capítulo.
Vale lembrar que Venus Williams, aos 45 anos, já havia retornado ao circuito um ano antes e mostrou que a idade não é barreira quando o talento é atemporal. Se Serena conseguir sequer se aproximar do nível que a tornou campeã, o tênis terá diante de si uma das histórias mais emocionantes do esporte.
"Serena é uma das maiores atletas de todos os tempos, com um legado que se estende muito além das quadras", disse Valerie Camillo, presidente da WTA. "Mal posso esperar para vê-la enfrentar uma nova geração de jogadoras."
A partir de 8 de junho, o mundo do tênis estará de olho em Londres. Serena Williams está de volta. E, como ela mesma provou inúmeras vezes ao longo de três décadas de carreira, contar Serena como derrotada é sempre um risco.
