O crescimento do pickleball e a permanência do tênis
A comparação entre tênis e pickleball tem ficado cada vez mais frequente à medida que o pickleball cresce globalmente. A palavra-chave “diferenças tênis e pickleball” resume a dúvida de muitos: qual esporte escolher hoje — pelo exercício, pela diversão ou pela carreira? Nos EUA, relatórios da Sports & Fitness Industry Association (SFIA) e da USA pickleball mostram um aumento expressivo no número de praticantes e de quadras — em 2023 o número de jogadores passou de 13 milhões e a infraestrutura seguiu em expansão em 2024 (veja o Annual Growth Report da USA Pickleball e o relatório da SFIA).
Mesmo com essa explosão, o tênis mantém sua base consolidada: clubes, torneios profissionais e uma cultura técnica que atrai quem busca desafio físico e tático. A seguir, explicamos as principais diferenças práticas entre os dois esportes, os benefícios de cada um e por que atletas como Eugenie Bouchard destacam que, apesar de simpatia pelo pickleball, o tênis oferece uma satisfação distinta.
Regras e diferenças básicas entre tênis e pickleball
- Quadra e rede
- Pickleball (duplas): 6,1 m x 13,4 m. Tênis (duplas): 10,97 m x 23,77 m. A diferença de tamanho é a primeira razão para contrastes no ritmo e no posicionamento.
- Altura da rede no pickleball: 91 cm (36 pol.) nas laterais e 86 cm (34 pol.) no centro — há também a chamada “kitchen“, a zona de não-voleio próxima à rede que altera bastante a estratégia.

- Equipamento
- Tênis: raquete com cordas e bolas pressurizadas (ou de treino). Sola e calçado específicos para deslocamento lateral e amortecimento.
- Pickleball: paddle (pá) sólida, sem cordas, e bola plástica perfurada (semelhante a uma wiffle ball). O equipamento é mais leve e reduz a exigência técnica inicial.

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Serviço e pontuação
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Pickleball: saque geralmente por baixo (underhand), regra do “double bounce” (quicar uma vez em cada lado antes de liberar voleios) e jogos normalmente disputados até 11 pontos com vantagem de 2.
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Tênis: serviço por cima (overhead) com variações, pontuação por games e sets (ex.: 6–4, tie-breaks), formatos que favorecem tática de longo prazo e variação de esforços.
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Ritmo e alcance
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Pickleball: pontos jogados a meia-distância, trocas rápidas com ênfase no controle e no posicionamento próximo à rede.
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Tênis: mais deslocamentos laterais e frontais, permitidos golpes mais potentes e variações (topspin, slice, passing shots), resultando em demandas físicas e técnicas distintas.
Essas diferenças criam duas experiências de jogo: pickleball mais acessível e social; tênis mais exigente fisicamente e taticamente.
Vantagens físicas e mentais do tênis — perspectiva de atletas como Eugenie Bouchard
Algumas ex-jogadoras de circuito têm experimentado o pickleball e comentado sobre a transição. Eugenie Bouchard, por exemplo, declarou em entrevistas que o pickleball é “completamente diferente” do tênis e que exige adaptações técnicas e táticas (entrevista disponível no site da Toray). Mesmo explorando o novo esporte, Bouchard e outros atletas muitas vezes ressaltam o prazer intrínseco do tênis: a complexidade tática, a variedade de golpes e o desafio físico contínuo.

Fisicamente, o tênis desenvolve:
- Resistência cardiovascular, por meio de sprints curtos e repetidos;
- Força explosiva e potência nos membros inferiores e no core;
- Agilidade e coordenação olho-mão para golpes de alta precisão;
- Capacidade aeróbica/mista dependendo do ritmo do jogo e do nível.
Além disso, estudos e resumos especializados indicam que esportes de raquete (como tênis, squash e badminton) estão entre as atividades associadas a melhora da longevidade e redução de risco de mortalidade quando praticados regularmente — há resumos sobre esse tema em publicações como a British Journal of Sports Medicine (BJSM) e comunicados de organizações como a Lawn Tennis Association (LTA).
No aspecto mental, o tênis exige tomada rápida de decisão, gestão de pressão em pontos decisivos e planejamento tático para jogos longos. Para muitos atletas, essa exigência cognitiva é uma fonte de satisfação: a sensação de evolução técnica e de superação em partidas competidas costuma ser mais pronunciada no tênis do que em esportes de início mais rápido como o pickleball.
Pickleball para iniciantes: é realmente mais fácil?
Em termos de curva de aprendizado, o pickleball costuma ser mais acessível: regras diretas, quadra menor, paddle mais leve e bola mais lenta permitem que iniciantes consigam trocar bolas e se divertir já nas primeiras sessões. Guias para iniciantes e clubes relatam que a sensação de progresso é rápida, o que ajuda a manter a adesão.
Porém, “mais fácil” não significa “sem técnica”. O pickleball tem suas sutilezas: posicionamento na kitchen, controle fino do ritmo, transições rápidas entre defesa e ataque e leitura de jogo em duplas. Jogadores que avançam no esporte descobrem camadas táticas profundas e um nível competitivo que requer treino específico. Para quem vem do tênis de alto nível, a adaptação envolve reaprender batidas, tempos e ângulos — como Bouchard comentou ao classificar as diferenças entre os esportes.
Portanto: pickleball é mais acessível para começar; o domínio fino do jogo exige tempo e prática, assim como no tênis.
Benefícios para saúde em cada esporte
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Excelente estímulo cardiovascular quando jogado com regularidade;
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Trabalho de força associado a deslocamentos, acelerações e mudanças de direção;
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Melhora da coordenação motora, equilíbrio e tempo de reação;
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Potencial para maior queima calórica por hora em jogos intensos;
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Estudos associam prática regular de racket sports a redução de risco de mortalidade geral e cardiovascular (ver LTA/BJSM para resumos e comunicações sobre pesquisas relacionadas).
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Menor impacto articular em comparação com o tênis, devido à quadra menor e à bola mais lenta — interessante para pessoas mais velhas ou em reabilitação;
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Condicionamento aeróbico moderado e picos de intensidade em trocas mais disputadas;
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Elevada componente social: jogos em duplas e a comunidade aumentam a adesão e o bem-estar mental;
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Acessibilidade e facilidade logística (quadras menores, equipamento mais barato) reduzem barreiras para começar a se exercitar.
Em resumo, ambos os esportes promovem saúde cardiorrespiratória, força e benefícios mentais; a escolha depende de objetivos (ex.: performance vs. socialização), condições físicas e disponibilidade de infraestrutura.
Como escolher — perguntas práticas antes de decidir
- Qual é seu objetivo principal? (gasto calórico / desafio técnico / sociabilização / reabilitação)
- Tem histórico de lesões ou limitações articulares? (pickleball tende a ser menos impactante)
- Busca competir ou apenas se exercitar e se divertir? (tênis oferece formatos competitivos variados)
- Como é o acesso a aulas e quadras na sua região? (algumas cidades já têm mais oferta de pickleball, outras ainda priorizam tênis)
Responder essas perguntas ajuda a determinar o esporte mais alinhado ao seu perfil. Muitos praticantes também optam por combinar os dois: usar pickleball como treino complementar, recuperação ativa ou oportunidade social, e manter o tênis para treinos intensos e foco técnico.
Dicas práticas para começar no tênis
- Procure aulas específicas para iniciantes: a base técnica (empunhadura, footwork, posicionamento) é essencial para evitar vícios de movimento.
- Escolha uma raquete adequada ao seu nível (muitas lojas e escolas indicam modelos iniciante/intermediário).
- Use calçado próprio para tênis, que ofereça estabilidade lateral e boa aderência.
- Trabalhe condicionamento físico fora da quadra: treinos intervalados, exercícios de core e pliometria leve ajudam performance e prevenção de lesões.
- Jogue regularmente (2–3 vezes por semana) e alterne treinos técnicos com partidas para aplicar a tática.
- Se houver histórico de lesão, consulte um profissional de educação física ou fisioterapeuta antes de aumentar intensidade.
Considerações finais — qual esporte é mais satisfatório?
Não existe um veredito universal: a escolha entre tênis e pickleball depende de prioridades pessoais. O pickleball cresceu por ser acessível, social e de fácil início; o tênis mantém apelo por sua profundidade técnica, maior exigência física e formato competitivo tradicional. Atletas como Eugenie Bouchard ilustram bem essa dicotomia: curiosidade pelo novo e respeito pela satisfação e desafio que o tênis oferece.
Se o objetivo é buscar desafio técnico, evolução longa e maior gasto energético, o tênis tende a ser a escolha mais satisfatória. Se a prioridade é começar rápido, socializar e reduzir impacto nas articulações, o pickleball é uma excelente porta de entrada.
A melhor decisão pode ser experimentar ambos: alternar treinos e partidas permite colher o que há de melhor em cada modalidade.
Fontes e leitura adicional
- USA Pickleball — Annual Growth Report: https://usapickleball.org/about/annual-growth-report/
- SFIA — State of Pickleball report: https://sfia.org/resources/as-pickleball-continues-unprecedented-growth-in-every-age-group-and-region-for-third-straight-year-significant-investments-still-needed-for-court-and-facility-demand/
- Toray — entrevista com Eugenie Bouchard: https://www.toray.us/activity/pickleball/story_002.html
- Tennis Infinity — artigo sobre comentários de Bouchard: https://tennis-infinity.com/wta/completely-different-sport-bouchard-on-why-pickleball-is-not-similar-to-tennis
- LTA — resumo sobre benefícios do tênis: https://www.lta.org.uk/news/why-tennis-can-help-you-live-longer/
- British Journal of Sports Medicine — seção sobre tênis: https://bjsm.bmj.com/keyword/tennis
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