Pela primeira vez em nove anos, duas tenistas do mesmo país decidirão um Grand Slam — e o palco é a grama mais sagrada do tênis. Linda Nosková, de 21 anos, e Karolína Muchová, de 29, venceram suas respectivas semifinais nesta quinta-feira (9 de julho) e garantiram que o título feminino de Wimbledon 2026 ficará na República Tcheca. A final, um duelo inteiramente tcheco inédito na história do torneio, está marcada para sábado, 11 de julho, na quadra central do All England Club, a partir das 17h (horário de Londres).

Um dia histórico para o tênis tcheco

A quinta-feira foi generosa com a República Tcheca. Primeiro, Linda Nosková, cabeça de chave número 9, dominou a ucraniana Marta Kostyuk (12ª pré-classificada) em sets diretos (6-4, 6-4) em apenas 1h19 de partida. Kostyuk vinha de uma temporada excepcional, tendo alcançado as semifinais do Aberto da Austrália e de Roland Garros em 2026, mas pouco pôde fazer diante da agressividade da jovem tcheca.

Em seguida, Karolína Muchová (10ª cabeça de chave) venceu a norte-americana Coco Gauff (7ª) em uma batalha de três sets decidida no super tiebreak do terceiro set (6-2, 1-6, 7-6). Gauff, que buscava sua primeira final em Wimbledon e vinha de uma campanha sólida na grama, foi superada pela versatilidade tática de Muchová nos momentos decisivos.

É a primeira vez que duas representantes do mesmo país chegam à final de um Grand Slam desde Sloane Stephens e Madison Keys no US Open 2017. Em Wimbledon, especificamente, o feito não acontecia desde 2009, quando as irmãs Serena e Venus Williams protagonizaram a decisão.

O domínio tcheco em Wimbledon

A República Tcheca tem uma tradição invejável na grama londrina. Martina Navratilová, nascida em Praga, conquistou nove títulos em Wimbledon entre 1978 e 1990 — um recorde absoluto no tênis feminino. Jana Novotná venceu em 1998 em uma final emocionante contra a suíça Martina Hingis. Petra Kvitová levantou o troféu em 2011 e 2014, consolidando seu jogo agressivo de esquerda como uma das marcas do tênis tcheco na grama. Markéta Vondroušová (2023) e Barbora Krejčíková (2024) mantiveram a hegemonia nos anos mais recentes, garantindo que o nome da República Tcheca permanecesse associado à excelência no All England Club. Agora, Nosková e Muchová escrevem mais um capítulo dessa história vitoriosa.

Linda Nosková: a jovem das superstições

Aos 21 anos, Nosková é a finalista mais jovem em Wimbledon desde Jelena Ostapenko em 2018. Nascida em 17 de novembro de 2004 em Bystřice nad Pernštejnem, na República Tcheca, ela atingiu o 10º lugar do ranking mundial em junho de 2026, o melhor de sua carreira. Sua ascensão tem sido rápida — em 2023, ela já havia chamado a atenção ao derrotar a então número 1 do mundo, Iga Swiatek, no Australian Open.

Sua semifinal contra Kostyuk foi uma aula de eficiência tática. Nosková venceu impressionantes 83% dos pontos disputados na rede e converteu três dos seis break points que teve. Ela também demonstrou maturidade ao manter a calma nos games mais apertados, algo que Kostyuk não conseguiu igualar.

Fora de quadra, Nosková revelou um lado peculiar e divertido: são mais de 20 superstições que ela segue religiosamente durante os torneios. "É uma doença", brincou em entrevista após a semifinal. "Uso a mesma rotina, o mesmo almoço, o mesmo banheiro, a mesma pia. Não vou mudar nada para a final." Ela também citou Petra Kvitová como sua maior inspiração no tênis: "Não assistia muito tênis quando criança, mas uma coisa que lembro bem é quando Petra venceu aqui. Foi quando eu descobri que um esporte chamado tênis existia."

Karolína Muchová: a veterana em ascensão

Muchová, de 29 anos, chega à sua primeira final em Wimbledon após uma trajetória marcada por lesões e superação. Em 2023, ela alcançou a final de Roland Garros e as semifinais do Australian Open, atingindo o oitavo lugar do ranking. Lesões a afastaram do topo, mas em 2026 ela se recuperou com consistência, conquistando o título de Bad Homburg na grama semanas antes de Wimbledon — um sinal claro de que estava pronta para brilhar no All England Club.

Sua vitória sobre Coco Gauff foi um teste de resistência física e mental. Depois de vencer o primeiro set com autoridade (6-2), Muchová sofreu uma reação de Gauff no segundo (1-6). No terceiro set, a tcheca manteve a calma e buscou os pontos decisivos no super tiebreak, fechando em 10-8 após uma batalha de mais de duas horas. Gauff, que havia derrotado Jessica Pegula nas quartas de final, viu o sonho de sua primeira final em Wimbledon ser adiado.

Curiosamente, Muchová e Nosková treinaram juntas na noite anterior às semifinais. "Treinamos na quadra central para sentir a atmosfera", revelou Nosková. Agora, as parceiras de treino se enfrentarão pelo título mais importante de suas carreiras. Muchová terá a seu lado a experiência de já ter disputado uma final de Grand Slam (Roland Garros 2023), enquanto Nosková aposta na juventude e na confiança de quem vem derrubando favoritas no torneio.

O que esperar da final

A final de sábado coloca frente a frente dois estilos que se complementam. Nosková é uma jogadora agressiva de linha de base, que busca a rede sempre que possível e joga com intensidade do primeiro ao último ponto. Seu saque potente e sua determinação em subir à rede a tornam especialmente perigosa na grama, onde o tempo de reação é reduzido.

Muchová, por outro lado, é uma das jogadoras mais versáteis do circuito. Ela combina slices, deixadinhas, variações de ritmo e uma visão de jogo excepcional — características que a tornaram conhecida como "a maga" do tênis tcheco. Sua capacidade de ler o jogo e quebrar o ritmo de adversárias agressivas será um trunfo importante.

Ambas farão sua primeira final de Grand Slam, o que adiciona uma camada extra de imprevisibilidade. A partida está marcada para as 17h (horário de Londres) no Centre Court. Uma tcheca será coroada campeã pelo sexto ano consecutivo em que Wimbledon foi disputado — de Vondroušová em 2023 a Krejčíková em 2024 e agora, em 2026, Nosková ou Muchová. A República Tcheca celebrará, mais uma vez, um capítulo dourado de sua rica história na grama mais famosa do mundo.