O domingo, 5 de julho de 2026, ficará marcado como um dos dias mais eletrizantes de Wimbledon nos últimos anos. O tradicional Manic Monday — dia em que todos os jogos da quarta rodada são disputados — entregou resultados de tirar o fôlego: Naomi Osaka eliminou a número 1 do mundo Aryna Sabalenka, Novak Djokovic superou o recorde de Roger Federer em vitórias no All England Club, e a nova geração do tênis mundial deu sinais claros de que veio para ficar. As quartas de final estão definidas, e a segunda semana do Grand Slam londrino promete emoções históricas.

Naomi Osaka renasce em Wimbledon: "Há muito tempo não me divertia tanto"

Aos 28 anos, Naomi Osaka finalmente conquistou algo que parecia improvável: uma vaga nas quartas de final de Wimbledon. Pela primeira vez na carreira, a ex-número 1 do mundo chegou à segunda semana do torneio sobre a grama sagrada do All England Club, e fez isso da maneira mais emblemática possível — derrotando a atual líder do ranking, Aryna Sabalenka, por 6-2, 7-6(2) em apenas 1h28 de partida.

Foi a primeira vitória de Osaka sobre Sabalenka em oito anos, desde o US Open de 2018. A bielorrussa havia vencido os três confrontos anteriores em 2026, incluindo na quarta rodada de Roland Garros no mês passado. "Perdi para ela três vezes seguidas, o que foi realmente chato", disse Osaka em entrevista à beira da quadra. "Queria virar esse jogo, e estou muito feliz por ter tido essa oportunidade."

A partida na Quadra Central foi disputada sob o calor mais intenso do torneio até então, com a temperatura atingindo 28°C. Osaka começou arrasadora, vencendo cinco games consecutivos para fechar o primeiro set em 6-2 em pouco mais de meia hora. No segundo set, Sabalenka esboçou reação e salvou dois break points em um game de 4-duces para manter o saque, mas Osaka foi implacável no tiebreak — vencendo por 7-2 com uma série de erros forçados da adversária.

A vitória quebrou várias sequências impressionantes: Sabalenka sofreu sua primeira derrota em sets diretos em um Grand Slam desde o US Open de 2020, e viu sua série de 14 quartas de final consecutivas em majors ser interrompida. Além disso, a bielorrussa perdeu um tiebreak em um Grand Slam pela primeira vez desde Roland Garros 2023, encerrando a maior sequência invicta em tiebreaks na Era Aberta — 21 vitórias consecutivas.

"Ela me dominou", admitiu Sabalenka, que segue como número 1 do mundo após a eliminação de Elena Rybakina na rodada anterior. "Sinto que meu nível estava muito baixo hoje, e ela estava no melhor momento dela."

Osaka, que vestiu um kimono branco inspirado em um personagem de Quentin Tarantino para sua entrada em quadra, tornou-se apenas a terceira japonesa a alcançar as quartas de final de Wimbledon na Era Aberta, juntando-se a Kimiko Date (1995, 1996) e Ai Sugiyama (2004). Na terça-feira, ela enfrentará Karolina Muchova, que eliminou a campeã de 2024 Barbora Krejcikova.

Djokovic supera Federer e faz história em Wimbledon

Enquanto Osaka brilhava na chave feminina, Novak Djokovic escrevia mais um capítulo dourado na história do tênis masculino. O sérvio de 39 anos derrotou o russo Roman Safiullin — o mesmo qualifier que havia eliminado João Fonseca na rodada anterior — por 7-6(6), 6-3, 3-6, 6-3, conquistando sua 106ª vitória em Wimbledon.

Com esse resultado, Djokovic isolou-se como o tenista masculino com mais vitórias na história do All England Club, ultrapassando Roger Federer, que tinha 105. O sérvio agora mira o recorde absoluto do torneio, pertencente a Martina Navratilova com 120 vitórias. "Cada vitória aqui é especial", declarou Djokovic após a partida. "Este torneio sempre foi o sonho da minha infância, e superar números de lendas como Roger e Martina significa muito."

O caminho de Djokovic até o título, no entanto, não será fácil. Ele enfrentará o vencedor da partida entre Félix Auger-Aliassime (3º cabeça de chave) e Alejandro Davidovich Fokina (22º) nas quartas de final. Do outro lado da chave, Jannik Sinner, número 1 do mundo, também avançou ao derrotar o japonês Shintaro Mochizuki e segue como o grande favorito ao lado de Djokovic.

Duelo americano nas quartas de final: Pegula x Gauff

A chave feminina reserva um confronto 100% americano nas quartas de final: Jessica Pegula (4ª cabeça de chave) enfrentará Coco Gauff (7ª). Ambas tiveram que batalhar em três sets para garantir suas vagas. Pegula superou a compatriota Iva Jovic por 4-6, 6-3, 6-1, enquanto Gauff passou pela suíça Belinda Bencic, 11ª cabeça de chave, também em três sets.

Pegula, de 32 anos, vive uma fase excepcional: tem 57 vitórias e apenas 16 derrotas contra americanas ao longo da carreira, com um impressionante 8-0 em 2026. Já Gauff, de 22 anos, chega à sua primeira quartas de final em Wimbledon, consolidando-se como uma das principais forças do tênis feminino na grama.

Com as três primeiras cabeças de chave — Swiatek, Sabalenka e Rybakina — já eliminadas, Pegula é a favorita ao título. Será o nono ano consecutivo com uma campeã inédita em Wimbledon. A última mulher a repetir o título foi Serena Williams, em 2015-16.

Novos nomes brilham na segunda semana

Além das grandes estrelas, Wimbledon 2026 está sendo palco da afirmação de novos talentos. A filipina Alex Eala, de 21 anos, protagonizou talvez a maior surpresa do torneio ao eliminar a bicampeã de Grand Slam Iga Swiatek, número 2 do mundo. A vitória histórica colocou as Filipinas no mapa do tênis mundial como nunca antes.

No masculino, o americano Michael Zheng, de 22 anos, também vem causando furor. O jovem tenista, que veio do qualifying, derrotou o britânico Cameron Norrie em uma emocionante partida de cinco sets, tornando-se uma das histórias mais comentadas da primeira semana.

Já João Fonseca, a grande esperança brasileira, foi eliminado na terceira rodada pelo mesmo Roman Safiullin que enfrentou Djokovic na quarta rodada. O brasileiro de 19 anos caiu por 3 sets a 0 (triplo 6/3), mas sua campanha em Wimbledon 2026 — incluindo vitórias sobre Roberto Bautista Agut e avanço consistente — reforça seu status como uma das promessas mais sólidas do tênis mundial.

O que esperar das quartas de final

As quartas de final de Wimbledon 2026 prometem confrontos de altíssimo nível. No feminino, Osaka x Muchova é um reencontro — as duas se enfrentaram na final de Bad Homburg na semana anterior, quando Osaka abandonou por lesão no pé. Desta vez, Osaka chega mais confiante após sua vitória monumental sobre Sabalenka.

Pegula x Gauff, por sua vez, é um duelo geracional: a experiência de Pegula contra a juventude e potência de Gauff. A vencedora terá pela frente a semifinalista que sair do outro lado da chave, que inclui nomes de peso como Muchova e a própria Osaka.

No masculino, Djokovic busca seu oitavo título em Wimbledon, o que o igualaria a Federer como o maior campeão da história do torneio. Sinner, atual número 1 do mundo, tenta confirmar o favoritismo e conquistar seu primeiro título em Londres. A ausência de Carlos Alcaraz — que não disputou o torneio devido a uma lesão no punho — abriu ainda mais o caminho para os dois gigantes.

A grama do All England Club continua sendo o palco onde histórias são escritas e lendas são forjadas. A segunda semana de Wimbledon 2026 mal começou, e já estamos diante de uma edição que promete ser inesquecível.