O backhand (ou revés) é um dos golpes mais decisivos para quem está começando no tênis. Seja com uma ou duas mãos, um backhand bem executado ajuda a controlar pontos, retornar golpes profundos do adversário e variar o jogo com slices, ângulos e topspin.

Os 7 erros mais comuns no backhand de iniciantes
Abaixo listamos os 7 erros que mais atrapalham a evolução do backhand (duas ou uma mão). Para cada erro há explicação curta, porque ele ocorre e qual é o efeito imediato no golpe.
1) Empunhadura inadequada
- O que acontece: segurar a raquete com grip errado (ex.: usar empunhadura de forehand na versão de uma mão) ou posicionar mal as mãos no backhand de duas mãos.
- Efeito: perda de controle, dificuldade em gerar topspin e imprecisão no ponto de contato.

2) Preparação tardia / takeback curto
- O que acontece: levantar a raquete muito tarde ou iniciar o takeback curto demais.
- Efeito: contato atrasado, golpes defensivos, bolas para fora ou curtas.
3) Pés e posicionamento incorretos
- O que acontece: base estática, pés mal posicionados (base muito fechada ou muito aberta) e sem ajuste de passos.
- Efeito: perda de equilíbrio, alcance reduzido, contato forçado.

4) Falta de rotação do tronco e uso das pernas
- O que acontece: bater quase só com o braço, sem transferência de peso e rotação de ombros.
- Efeito: pouca potência, inconsistência e fadiga muscular.
5) Ponto de contato errado
- O que acontece: bater quando a bola já passou do ponto ideal (muito atrás) ou muito à frente/baixo.
- Efeito: bolas longas, mal direcionadas ou sem profundidade.
6) Swing curto e follow-through incompleto
- O que acontece: receio de errar leva a encurtar o movimento e interromper o follow-through logo após o contato.
- Efeito: falta de spin e controle de profundidade.
7) Tensão excessiva e empunhadura rígida
- O que acontece: segurar a raquete com força excessiva, contrair ombros e pescoço.
- Efeito: tempo de reação prejudicado, menos sensação no golpe e maior probabilidade de erros.
Como corrigir cada erro: passos práticos e prioridades
Para cada erro apresento uma sequência de correção simples: (1) diagnóstico rápido, (2) correção técnica imediata, (3) exercício prático curto para treinar a correção.
1) Empunhadura inadequada
- Diagnóstico rápido: veja qual mão está dominante e peça para outro jogador olhar a posição das mãos no cabo.
- Correção técnica:
- Backhand de duas mãos: a mão dominante fica mais baixa no cabo; a mão auxiliar (mais próxima ao topo) controla a face da raquete. A palma da mão auxiliar fica levemente virada em direção à cabeça da raquete.
- Backhand de uma mão: use empunhadura eastern backhand (muito comum entre iniciantes que preferem uma mão) ou continental para slices. Evite trocar para grips extremos sem acompanhamento técnico.
- Exercício prático: segure a raquete apenas com a mão auxiliar (no caso do backhand de duas mãos) e faça 20 swings leves na sombra para sentir onde a mão “puxa” a raquete.
Prioridade: se a empunhadura estiver errada, tudo que vier depois será prejudicado — corrija antes de aumentar ritmo.
2) Preparação tardia / takeback curto
- Diagnóstico rápido: grave 10 swings de treino; se a raquete não está atrás e “pronta” quando a bola chega, a preparação é tardia.
- Correção técnica: antecipe o takeback ao ver a preparação do adversário. Busque um movimento de recuo da raquete controlado e em diagonal (não só para trás).
- Exercício prático: shadow swings com contagem (conte “1″ assim que o parceiro bate a bola, inicie o takeback). Repetir 3 séries de 10.
Prioridade: melhorar antecipação e percepção de tempo torna o backhand mais seguro.
3) Pés e posicionamento incorretos
- Diagnóstico rápido: observe se o jogador costuma golpear sem ajustar os pés — bola é alcançada com salto ou braço esticado.
- Correção técnica: ensine dois padrões básicos de posição:
- Posição aberta (open stance) para golpes rápidos e bolas de drive: apoie o peso na perna de trás e gire o tronco.
- Posição fechada/semifechada (closed / semi-closed) para golpes de ataque e profundidade: passo para dentro da bola e transferência de peso para a frente.
- Exercício prático: drill “4 passos para a bola”: da posição neutra faça quatro passos (lateral, lateral, avanço, ajuste) e golpeie com foco em estabelecer a base antes do contato. Repetir 3×10.
Prioridade: footwork é o multiplicador de técnica — treine cedo e sempre.
4) Falta de rotação de tronco e uso das pernas
- Diagnóstico rápido: se o jogador não gira ombros e usa só o braço, o golpe será fraco.
- Correção técnica: treine a sequência perna-tronco-braço — empurre com a perna traseira, rotacione os ombros e termine o movimento com o follow-through.
- Exercício prático: medicine ball rotational throws (lançar a bola medicinal com rotação) — 3 séries de 8 cada lado. Para iniciantes sem bola medicinal, simulacões com faixa elástica e foco na rotação do core funcionam.
Prioridade: ativa a potência e protege o braço de sobrecarga.
5) Ponto de contato errado
- Diagnóstico rápido: verifique se a bola é batida atrás do corpo ou muito cedo demais.
- Correção técnica: ajustar o posicionamento lateral e o timing; busque contato entre a linha da cintura e o ombro, à frente do quadril. Para bolas mais altas o contato sobe proporcionalmente.
- Exercício prático: ‘feed na frente’ — parceiro alimenta bolas na zona ideal exclusivamente; jogador foca única e exclusivamente no ponto de contato (30 repetições divididas em blocos).
Prioridade: controle de profundidade e consistência vêm do ponto de contato correto.
6) Swing curto e follow-through incompleto
- Diagnóstico rápido: o jogador para o braço logo após o contato ou não finaliza com a raquete acima do ombro.
- Correção técnica: pratique swings longos sem bola, visualizando a direção do alvo no final do movimento; para slice o follow é diferente (termina mais baixo), mas deve ser claro e controlado.
- Exercício prático: ‘swing com contagem’ — 1 (preparação) – 2 (contato) – 3 (final) em cada repetição, 3 séries de 15.
Prioridade: seguir o movimento evita “morridas” de bola sem spin.
7) Tensão excessiva e empunhadura rígida
- Diagnóstico rápido: observar ombros erguidos, punho travado e respiração curta.
- Correção técnica: treinar relaxamento na empunhadura — segurar a raquete como se segurasse uma caneta, soltando a pressão entre séries.
- Exercício prático: a cada 10 golpes solte completamente a raquete por 2 segundos e abafe a bola com uma empunhadura leve em seguida; use bolas de espuma para reduzir medo de errar.
Prioridade: reduzir tensão costuma melhorar timing e sensação imediatamente.
Exercícios práticos (quadra e casa) — sequência e progressão
Os exercícios abaixo são pensados para iniciantes e amadores que treinam 2–3 vezes por semana. Cada drill tem variações simples para progredir.
1) Parede (wall drills)
- O que treina: timing, ponto de contato, consistência.
- Como fazer: troque 10–20 batidas contínuas contra a parede focando em contato à frente. Marque na parede a altura média do quique para referência.
- Progressão: aumentar velocidade e variar direção.

2) Mini-tênis / meia quadra
- O que treina: controle, profundidade e troca de ritmos.
- Como fazer: jogue dentro da meia quadra por blocos de 5–8 minutos, priorizando trocas lentas e boas bases.
- Progressão: aumentar distância e usar bolas normais.
3) Feed controlado (com parceiro)
- O que treina: takeback, contato e follow-through.
- Como fazer: parceiro alimenta 30 bolas na zona ideal; o jogador repete o movimento técnico, sem força. Divida em blocos: 10 foco no contato, 10 foco na rotação, 10 no follow-through.
- Progressão: elevar ritmo do feed e variar altura.
4) Shadow swings + vídeo feedback
- O que treina: sensação de movimento e autocorreção.
- Como fazer: grave 10 swings (smartphone posicionado lateralmente) e compare com um modelo (links de referência). Faça 3 séries de 15 swings.
- Progressão: revisar os vídeos e focar uma correção por sessão.
5) Drill de passos (4 passos para a bola)
- O que treina: footwork prático e base para o golpe.
- Como fazer: da posição neutra realize 4 passos (lado, lado, avançar, ajuste) e golpeie. Repetir 3×10.
6) Força e rotação fora da quadra
- O que treina: transferência de potencia do core e pernas.
- Como fazer: 2x/semana agachamentos, avanços (lunges), pranchas e medicine ball rotational throws (3 séries de 8–12).
Dica prática: foque em uma correção por sessão (por exemplo: hoje empunhadura; amanhã footwork). Isso evita sobrecarga cognitiva e acelera a automação técnica.
Dicas de equipamentos e progressão para amadores
- Raquete: para iniciantes/amadores recomendamos uma raquete com cabeça mais generosa (entre 98–104 in²) e peso moderado (270–310 g sem corda). Isso dá mais tolerância e gera potência sem exigir técnica perfeita.
- Encordoamento: tensão entre 50–56 lbs costuma oferecer um bom equilíbrio entre potência e controle. Cordas multifilamento ou híbridas aumentam o conforto para braços sensíveis.
- Grip: verifique o tamanho do grip. Um grip muito grande pode aumentar tensão na mão e diminuir mobilidade do punho.
- bolas de baixa pressão (type 2) ou foam para treinos técnicos — dão mais tempo de reação e facilitam a correção do ponto de contato.
- Calçado: tênis com boa lateralidade e sola adequada à superfície da quadra (clay / hard) ajuda no footwork.
Progressão prática para amadores:
- Semanas 1–2: foco em empunhadura, takeback e ponto de contato (exercícios lentos, feed e parede).
- Semanas 3–4: aumentar ritmo, incluir crosscourt e down-the-line, começar a trabalhar topspin leve.
- Meses 2–3: integrar o backhand em pontos simulados e treinos de variação (slice, aproximacões, backhand para atacar).
Exemplo de plano de treino semanal (iniciante — 3 sessões de quadra + 2 de força)
Segunda — Técnica curta (60 min)
- 10 min aquecimento dinâmico
- 20 min shadow swings + parede (3×5 min)
- 20 min feed controlado backhand (30 repetições focando ponto de contato)
- 10 min alongamento
Terça — Condicionamento e força (30–45 min)
- 15 min core (prancha, russian twist)
- 15–20 min pernas (agachamento, lunges) e medicine ball rotational throws
Quarta — Footwork e consistência (75 min)
- 15 min aquecimento + mobilidade
- 30 min mini‑tênis trocas controladas (3×10 min)
- 20 min drill dos 4 passos + step-in (3×10)
- 10 min alongamento
Quinta — Condicionamento rápido (30–45 min)
- 20 min pliometria leve (saltos controlados) + alongamento específico
Sexta — Integração em ponto (90 min)
- 15 min aquecimento
- 30 min drills com alternância forehand/backhand
- 30 min jogos simulados / pontos parciais, priorizando iniciar pontos com backhand
- 15 min condicionamento rápido (core/leg) e alongamento
Dica de periodização: a cada 4 semanas reavalie um erro chave (ex.: ponto de contato) com gravação em vídeo e metas mensuráveis (ex.: 50 trocas cruzadas seguidas).
Vídeos e leituras recomendadas (links diretos)
- Mouratoglou Coaching — Mastering the Two-Handed Backhand: técnica, variações e fixes: https://www.mouratoglou.com/en/conseils-coaching/coaching-corner/tennis-technique/mastering-the-two-handed-backhand-stroke-the-guide/
- Play‑Rally — The Two‑Handed Backhand: modern technique & common fixes: https://www.play-rally.com/blog/two-handed-backhand-technique/
- USTA — Tips & Instruction: recurso amplo para fundamentos do tênis: https://www.usta.com/en/home/improve/tips-and-instruction.html
- The Champlair — 9 Tennis Backhand Drills (drills práticos): https://thechamplair.com/tennis/tennis-backhand-drills/
- Artigo Esporte Tênis (recurso interno recomendado): Como melhorar o backhand no tênis — https://www.esportetenis.com/como-melhorar-o-backhand-no-tenis-5-exercicios-simples-para-iniciantes-em-casa
Esses recursos fornecem vídeos de demonstração e variantes de drills que complementam os exercícios descritos aqui.
Como aplicar tudo isso na prática — plano simples de 6 semanas
1) Semana 1–2: identificar o erro mais limitante (empunhadura ou ponto de contato). Trabalhar 2 sessões de quadra focadas nele + 2 sessões leves de força. 2) Semana 3–4: consolidar footwork e rotação; aumentar ritmo nos feeds; começar a introduzir crosscourt com controle. 3) Semana 5–6: integrar o backhand em pequenos pontos simulados; aumentar variações (topspin e slice) e medir progresso com gravações.
Métricas simples para acompanhar evolução:
- Número de trocas consecutivas (meta inicial: 20–30 cruzadas, depois 50).
- Consistência de ponto de contato em 30 feeds (meta: 80% contato na zona ideal).
- Sensação de relaxamento: diminuir tensão (autoavaliação) e número de golpes com empunhadura relaxada.
Observações finais
Corrigir o backhand exige paciência e prática deliberada. Trabalhe em uma correção por vez, use feedback em vídeo e metas objetivas. Pequenas mudanças na empunhadura, preparação e footwork costumam produzir melhora rápida quando praticadas corretamente.
Acompanhe o Esporte Tênis para mais guias, vídeos e planos de treino específicos para amadores.
