Roland Garros 2026 se prepara para um fim de semana que entrará para a história do tênis. Pela primeira vez em décadas, tanto a chave masculina quanto a feminina coroarão campeões inéditos de Grand Slam. De um lado, a jovem russa Mirra Andreeva, de apenas 19 anos, e a polonesa Maja Chwalińska, a grande sensação vinda do qualifying. Do outro, o alemão Alexander Zverev, em sua incansável busca pelo primeiro título de Major, e o italiano Flavio Cobolli, que garantiu vaga na final de forma dramática.
Final Feminina de Roland Garros 2026: Juventude e Determinação
A final feminina, marcada para este sábado, 6 de junho, a partir das 10h (horário de Brasília), coloca frente a frente Mirra Andreeva, número 8 do mundo, e Maja Chwalińska, atualmente na 114ª posição do ranking da WTA. Será a primeira final de Grand Slam para ambas.
Andreeva, que já havia alcançado as semifinais ou quartas de final em Paris nas duas últimas edições, chega embalada por uma campanha dominante. Em sua trajetória até a decisão, a russa perdeu apenas um set — na segunda rodada contra Marina Bassols Ribera — e passou por nomes como Sorana Cirstea (6-0, 6-3 nas quartas) e Marta Kostyuk (6-1, 6-3 na semifinal). Com 19 anos, ela se torna a mais jovem finalista de Grand Slam desde Coco Gauff em Roland Garros 2022 e a primeira tenista nascida depois de 2005 a alcançar uma final de simples em um Major. Além disso, é a primeira adolescente desde Caroline Wozniacki em 2009 a chegar a três ou mais finais no saibro em uma mesma temporada.
Do outro lado da quadra, a história de Maja Chwalińska é nada menos que cinematográfica. Vinda do qualifying, a polonesa de 24 anos é a primeira classificada a chegar à final de Roland Garros e apenas a segunda qualifier na Era Aberta a alcançar uma final de Grand Slam, repetindo o feito de Emma Raducanu no US Open 2021. Para chegar até aqui, Chwalińska venceu impressionantes nove partidas consecutivas — três no qualifying e seis na chave principal. Pelo caminho, derrubou Qinwen Zheng (atual Top 10), Elise Mertens, Maria Sakkari, Anna Kalinskaya e Diana Shnaider, acumulando 10 horas e 52 minutos em quadra na chave principal.
Chwalińska entra para a história também como a finalista de Roland Garros com o ranking mais baixo já registrado, superando a marca de Iga Swiatek, que era número 54 quando venceu o título em 2020. É também apenas a terceira mulher fora do Top 100 a chegar a uma final de Grand Slam nos últimos 40 anos.
Final Masculina de Roland Garros 2026: Zverev ou Cobolli?
No domingo, 7 de junho, será a vez dos homens decidirem o título. Alexander Zverev, número 3 do mundo, enfrenta o italiano Flavio Cobolli, cabeça de chave número 10. Ambos buscam o primeiro título de Grand Slam de suas carreiras.
Zverev chegou à final com uma vitória sólida sobre o tcheco Jakub Menšík, algoz de João Fonseca nas quartas de final. O alemão venceu por 3 sets a 1, com parciais de 7-5, 6-2, 3-6 e 6-3, perdendo apenas dois sets em todo o torneio. Para Zverev, esta é mais uma oportunidade de conquistar o título que há tanto tempo persegue. O alemão já foi vice-campeão em Grand Slams — incluindo o US Open de 2020 — e chega a Paris como um dos favoritos, especialmente após as eliminações precoces de Jannik Sinner e a ausência de Carlos Alcaraz por lesão.
O caminho de Flavio Cobolli até a final foi, no mínimo, atípico. O italiano avançou diretamente à decisão após Matteo Arnaldi, seu compatriota, precisar se retirar da semifinal com menos de uma hora antes do início da partida, devido a uma doença viral. Arnaldi, que passou 17 horas e 42 minutos em quadra ao longo do torneio — um recorde desde que a ATP começou a registrar esses dados em 1991 —, não teve condições de jogar. Foi apenas a quarta vez na Era Aberta que uma semifinal de Grand Slam terminou em walkover.
Cobolli, que perdeu apenas dois sets em toda a campanha, disse estar "triste e feliz ao mesmo tempo" com a classificação. O italiano saltará para o Top 10 do ranking mundial pela primeira vez após o torneio. Contra Zverev, o retrospecto é desfavorável (3 a 1 para o alemão), mas Cobolli venceu o último confronto entre eles, em Munique, no mês passado.
Um Fim de Semana de Prêmios Históricos
Além do prestígio, o que está em jogo em Paris também é financeiramente significativo. O prêmio total do torneio aumentou 9,53% em relação ao ano anterior, totalizando €61,723 milhões. O campeão de simples levará €2,8 milhões, enquanto o vice-campeão receberá €1,4 milhão. Nas duplas, a dupla campeã embolsará €600 mil.
Para Mirra Andreeva, uma vitória no sábado a colocaria na liderança da Race para as WTA Finals e a projetaria para o número 6 do ranking mundial. Já para Chwalińska, vencer o título significaria um salto de 100 posições no ranking, indo para o 14º lugar. Uma derrota ainda a colocaria como número 21 do mundo — uma ascensão meteórica para quem começou o torneio como número 114.
O tênis mundial vive um momento de transição geracional, e Roland Garros 2026 é o palco perfeito para testemunhar o nascimento de novos campeões. Seja qual for o resultado, Paris escreverá um capítulo inédito em sua rica história.
