Zheng Qinwen, nascida em 8 de outubro de 2002 em Shiyan (província de Hubei), tornou-se em poucos anos uma das maiores revelações do tênis feminino mundial. Entre estilos que mesclam potência e agressividade, sua rápida adaptação ao circuito profissional rendeu títulos, uma final de Grand Slam e — o marco mais simbólico — a medalha de ouro em simples nas Olimpíadas de Paris-2024. A trajetória de Zheng combina sacrifício familiar, mudanças de base e trabalho técnico contínuo, ingredientes que a colocam como referência para jovens atletas na Ásia e no resto do mundo.

Zheng Qinwen during Australian Open 2024 final

Início da carreira: infância, sacrifício familiar e primeiros treinamentos

Zheng começou a jogar tênis aos sete anos. Ainda criança, mudou-se para Wuhan para treinos intensivos — uma decisão comum entre famílias chinesas que investem cedo na formação esportiva dos filhos — e treinou posteriormente em centros na capital Pequim. Em 2019 ela se estabeleceu em Barcelona, Espanha, onde vive e treina parte do tempo, buscando a combinação de técnicos e competições europeias para acelerar seu desenvolvimento técnico e tático.

A influência de ídolos locais também foi decisiva: Zheng declara publicamente que cresceu assistindo a Li Na e que a trajetória da ex-campeã de Grand Slam serviu de motivação. Perfis e entrevistas com a atleta detalham o esforço da família para manter o projeto e a própria adaptação de Zheng a mudanças culturais — um aspecto frequentemente ressaltado em matérias da WTA e em reportagens internacionais (veja, por exemplo, o perfil da WTA e reportagens do The New York Times).

Breakthrough no circuito: passos no ITF, WTA 125 e primeiros sinais de destaque

A transição de Zheng do circuito juvenil e ITF para o nível WTA seguiu um caminho clássico, porém acelerado por resultados consistentes. Ela somou títulos em torneios ITF, ganhou experiência em diferentes superfícies e conquistou um WTA 125 — o Open Internacional de Valência em 2022 — que foi fundamental para a entrada no top 50 da WTA. Essas vitórias deram-lhe a confiança necessária para enfrentar jogadoras mais experientes e disputar com regularidade torneios de categoria superior.

Durante 2021–2022, Zheng já demonstrava capacidade de impor o próprio ritmo com golpes de fundo potentes e confiança para disputar pontos grandes em quadras de nível tour. O WTA 125 e as boas atuações em eventos maiores deixaram claro que a escalada no ranking era questão de tempo.

Ano de revelação (2022–2023): Roland Garros, títulos e prêmios

O ano de 2022 foi o primeiro em que Zheng passou a integrar o radar global. Em Roland Garros 2022 ela teve uma campanha de destaque que a colocou nas atenções da imprensa internacional; a sequência de resultados naquele ano impulsionou sua entrada na elite young talent da WTA. Ainda em 2022, Zheng foi eleita WTA Newcomer of the Year, reconhecimento oficial do circuito ao impacto de sua temporada.

Zheng Qinwen at Roland Garros 2022

Em 2023, a chinesa confirmou o potencial com títulos e boas campanhas: conquistou seu primeiro título WTA no Palermo Ladies Open e venceu o WTA 500 de Zhengzhou, em sua casa, além de alcançar as quartas de final do US Open — sua primeira incursão profunda em um major norte-americano. Esses resultados não apenas ampliaram sua confiança como também consolidaram mudanças táticas e a amplitude de seu jogo contra as melhores do mundo.

No período, a atleta trabalhou com o técnico Pere Riba, teve uma breve passagem com Wim Fissette e, ao final de 2023, reuniu-se novamente com Riba para seguir o projeto de evolução em quadra.

Ouro olímpico em Paris 2024: o momento histórico

O ápice simbólico da carreira de Zheng até então ocorreu nas Olimpíadas de Paris-2024 — disputadas em quadras de saibro no complexo de Roland Garros. Na campanha olímpica, Zheng superou adversárias de alto calibre e, na semifinal, derrotou a então número 1 do mundo, Iga Świątek, em partida que ressaltou sua capacidade de gerir pressão em jogos decisivos. Na final, bateu a croata Donna Vekić por 6–2, 6–3 e conquistou a medalha de ouro em simples — a primeira medalha de ouro olímpica da China em simples no tênis (cobertura, por exemplo, da BBC destaca a final: https://www.bbc.com/sport/olympics/articles/c035339d8g3o). A vitória teve repercussão mundial (ver também a cobertura da AP e da Olympics.com).

Zheng Qinwen celebrating Olympic gold in Paris 2024

O feito é histórico não apenas para Zheng, mas para o tênis chinês e asiático: a conquista elevou a visibilidade do esporte no país e firmou Zheng como emblema de uma geração que já compete em igualdade com as melhores do circuito.

Desempenho em Grand Slams e evolução no ranking

Zheng alcançou sua melhor campanha em Grand Slams ao disputar a final do Australian Open em 2024, onde foi derrotada pela então número 2 Aryna Sabalenka por 3–6, 2–6. A campanha no Australian Open impulsionou a entrada de Zheng no top 10 do ranking WTA pela primeira vez — um marco que colocou a chinesa entre as jogadoras mais relevantes do circuito.

Zheng Qinwen in action at Australian Open 2024 final

Além do Australian Open, seus desempenhos em majors incluem as quartas de final do US Open (2023 e 2024) e progressos regulares em torneios WTA 1000 e 500. Em finais de temporada, Zheng ainda disputou o WTA Finals em 2024, chegando ao jogo decisivo e confirmando sua condição de candidata em torneios de alto calibre.

Segundo dados públicos consolidados (WTA e registros de torneios), Zheng atingiu picos de ranking entre o top 10 e top 5 no ciclo 2024–2025, reflexo da consistência nas temporadas e títulos conquistados em diferentes superfícies.

Estilo de jogo: como Zheng impõe seus pontos

A identidade técnica de Zheng Qinwen assenta-se em alguns pilares claros:

  • Potência do forehand: arma primária para ditar o ritmo; o golpe permite que ela jogue ofensivamente desde a linha de fundo.
  • Saque agressivo: utilizado para ganhar pontos fáceis e abrir o jogo, sobretudo em pisos rápidos.
  • Backhand de duas mãos consistente: defesa e transição para o ataque quando necessário.
  • Cobertura de quadra e movimentação: boa capacidade de recuperação e alcance lateral, o que complementa o jogo de base.
  • Crescente maturidade tática: ao longo de 2023–2024, Zheng passou a trabalhar mais a construção de pontos longos e a variação de ritmos, reduzindo o número de erros não-forçados em partidas decisivas.

Técnicos europeus, como Pere Riba, contribuíram para o polimento tático, adicionando nuances ao jogo já naturalmente poderoso de Zheng. O equilíbrio entre potência e leitura de jogo é hoje a chave para que ela siga avançando contra adversárias de nível top-10.

Desafios e gestão física: lesões e calendário

O alto volume de partidas e a transição entre superfícies diferentes exigem atenção corporal intensa. Zheng lidou com ajustes físicos entre 2024 e 2025, incluindo episódios que demandaram acompanhamento médico e adaptações no treinamento. Em vez de detalhar procedimentos médicos sem fonte pública explícita, a abordagem adotada pela equipe da jogadora foi priorizar a gestão de carga, reabilitação quando necessário e um calendário pensado para proteger o corpo ao mesmo tempo em que mantém presença em torneios-chave.

Esse tipo de gestão é particularmente importante para jovens estrelas que já alcançam etapas finais de grandes competições — a diferença entre perseguir ritmo competitivo contínuo e preservar a longevidade da carreira passa por esse equilíbrio.

Futuro promissor: metas e legado em formação

Os próximos objetivos de Zheng passam por converter finais e boas campanhas em títulos de Grand Slam, manter consistência contra top-10 e, claro, defender e ampliar o impacto que seu ouro olímpico teve para o tênis chinês. A progressão natural inclui manter presença em WTA 1000, disputar novamente o WTA Finals com regularidade e, gradualmente, assumir a condição de favorita em eventos de maior prestígio.

No plano simbólico, o legado de Zheng já está em construção: sua trajetória reanima a lembrança do impacto de Li Na e indica que a China pode produzir, de forma consistente, atletas capazes de figurar entre os melhores do planeta — consequência direta do investimento em centros de treinamento e na experiência adquirida em bases europeias.

Por que a história de Zheng interessa além das quadras?

A narrativa de Zheng Qinwen extrapola o aspecto esportivo. Trata-se de uma história sobre mobilidade social, sacrifício familiar, globalização do treinamento esportivo e a visibilidade crescente do tênis feminino asiático. Seu percurso indica também que talentos de países com tradições recentes no tênis podem, com suporte técnico e trabalho contínuo, alcançar o topo.

Para jovens jogadoras na China e em outros países asiáticos, Zheng é uma referência prática: mostrou que é possível conjugar técnica, potência e resiliência mental para vencer sob pressão e brilhar em palcos como o Australian Open e as Olimpíadas.

Palavras finais — Zheng Qinwen como ícone em construção

Zheng Qinwen já transbordou a condição de promessa: com um ouro olímpico, títulos no circuito WTA e uma final de Grand Slam no currículo, ela é hoje parte do núcleo de jogadoras que moldam o futuro do tênis feminino. Resta transformar potencial e resultados pontuais em uma carreira longa, com títulos de Major e permanência no topo — tarefa plausível para quem já provou capacidade de evolução rápida e adaptação tática.

A carreira de Zheng ainda tem muitos capítulos a escrever. Entre vitórias e desafios físicos, seu principal ativo permanece o talento aliado à atitude para competir — combinação que a mantém sob os holofotes e próxima de ampliar um legado que já inspira.

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Fontes e leituras recomendadas