Introdução ao cotovelo de tenista
O cotovelo de tenista — também chamado de epicondilite lateral ou tendinopatia lateral do cotovelo — é uma condição por sobrecarga dos tendões que fixam os músculos extensores do antebraço ao epicôndilo lateral do úmero. O tendão mais frequentemente envolvido é o do extensor carpi radialis brevis (ECRB). A queixa típica é dor na face lateral do cotovelo que piora ao agarrar objetos, estender o punho ou executar movimentos repetitivos com a raquete.

Apesar do nome, a maioria dos casos não está diretamente ligada ao jogo de tênis, mas sim a movimentos repetitivos e técnica ou equipamento inadequados. Tenistas (amadores e profissionais), trabalhadores manuais e usuários intensivos de computador estão entre os grupos mais afetados.
Fontes de referência: Mayo Clinic, NHS, AAOS.
Causas e fatores de risco no tênis
Cotovelo de tenista é, na maior parte das vezes, uma lesão por overuse (uso repetitivo). Entre as causas e fatores de risco relacionados ao tênis estão:
- Overuse: sessões longas ou repetitivas que sobrecarregam os músculos extensores do antebraço.
- Técnica inadequada: backhand de uma mão com extensão excessiva do punho, pegada errada (grip muito pequeno ou muito grande) e falta de transferência de força pela cadeia cinética (pernas, tronco, ombro).
- Equipamento inadequado: raquete muito rígida ou pesada, cordas com tensão muito alta, grip fora do tamanho adequado e ausência de amortecimento.
- Carga de treino mal gerida: aumento abrupto de volume ou intensidade sem período de adaptação.
- Fatores individuais: idade (mais comum entre 30–60 anos), tabagismo, obesidade e uso de certos medicamentos (p.ex. fluoroquinolonas) que podem predispor a tendinopatias.

Ajustes técnicos, seleção de equipamento apropriado e progressão de carga são intervenções-chave para reduzir risco em jogadores de todos os níveis.
Referências: Mayo Clinic, NHS.
Sintomas e diagnóstico inicial
Sinais e sintomas mais comuns:
- Dor localizada na face lateral do cotovelo, podendo irradiar para antebraço e punho.
- Sensibilidade ao toque sobre o epicôndilo lateral.
- Dor e redução de força ao realizar preensão (pegar raquete, abrir porta, segurar uma caneca).
- Em casos mais agudos, dificuldade em estender o punho contra resistência.
Exames clínicos simples que ajudam na triagem (autoavaliação inicial e exame por médico/fisioterapeuta):
- Teste de Cozen: o paciente tenta estender o punho contra resistência (dor indica positividade).
- Teste de Mill’s: alongamento passivo do complexo extensores (dor na região lateral).
- Avaliação da história: início gradual, relação com atividades repetitivas, piora com preensão.
Quando procurar um médico ou fisioterapeuta:
- Dor que persiste após 2–6 semanas de autocuidados (repouso relativo, gelo, antiálgicos tópicos).
- Perda importante de função ou força.
- Sinais atípicos: dor noturna intensa, inchaço marcado, sinais neurológicos (formigamento, perda sensibilidade) — que exigem investigação complementar.
Fontes: AAOS (OrthoInfo), NHS, Mayo Clinic.
Métodos de prevenção eficazes
Prevenção é essencial e costuma ser mais eficiente e menos custosa do que tratamento. Para jogadores de tênis, combine mudanças de técnica, equipamento, preparação física e gestão de carga:
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Técnica e biomecânica:
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Trabalhe o backhand: avaliar a possibilidade de uso do backhand de duas mãos (para reduzir pico de carga em uma mão) e corrigir extensão excessiva do punho.
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Treine transferência de força pela cadeia cinética (pernas, core, tronco) em vez de depender somente do braço.
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Procure um treinador qualificado para análise de técnica e correções.
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Equipamento:
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Grip: use tamanho de grip adequado (nem muito pequeno, nem muito grande) — ajuda a reduzir a força de preensão excessiva.
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Tensão das cordas: cordas muito tensas aumentam a transmissão de choque ao braço; reduzir tensão pode diminuir sobrecarga.
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Raquetes: prefira raquetes com melhor amortecimento e distribuição do peso que se adaptem ao seu estilo; uso de vibroabsorvedor pode reduzir desconforto.

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Preparação física:
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Programa regular de fortalecimento do antebraço (extensores e flexores), ombro, escápula e core.
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Flexibilidade e mobilidade de punho e escápula.
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Gestão de carga:
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Aumente volume e intensidade de forma gradual (por exemplo, regra de 10%/semana como referência orientativa).
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Planeje dias de descanso e recuperação ativa; evite jogar quando sentir dor aguda.
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Aquecimento:
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Aquecimento dinâmico das cadeias envolvidas (ombro, cotovelo, punho, core) antes de treinos e jogos.
Evidência prática e guias clínicos reforçam que programas de exercício e correção técnica reduzem incidência e recidiva.
Referências: Physio-Pedia, estudos sobre equipamento e epidemiologia.
Exercícios de fortalecimento e alongamento (programa prático)
Exercícios consistentemente fazem a diferença no tratamento e prevenção do cotovelo de tenista. Recomenda-se um programa de 6–12 semanas como base, com ênfase em progressão gradual, controle e, quando apropriado, em trabalho excêntrico.
Observações antes de iniciar:
- Faça uma avaliação inicial com fisioterapeuta quando possível.
- Se houver dor aguda intensa, inflamação evidente ou suspeita de outra lesão, procure um médico antes de começar.
- Execute exercícios com controle, sem compensações de ombro/coluna.
A seguir um programa prático e aplicável para amadores e profissionais.
Aquecimento (5–10 min)
- Rotação de ombro e escápula;
- Flexo-extensão de punho e dedos em baixa carga;
- Trabalho cardiovascular leve (bicicleta / corrida leve) para aumentar fluxo sanguíneo.
Alongamentos (pré e pós sessão) 1) Alongamento dos extensores do punho (palma para baixo)
- Braço estendido em frente, palma para baixo; com a outra mão puxe os dedos em direção ao antebraço até sentir leve tensão.
- 3 séries de 30 segundos, 2–3 vezes ao dia.
2) Alongamento dos flexores do punho (palma para cima)
- Braço estendido, palma para cima; puxe dedos em direção ao antebraço.
- 3 x 30 s.
Fortalecimento e carga progressiva
3) Isométricos (fase inicial — melhora controle e reduz dor)
- Extensão isométrica do punho: cotovelo a 90°, empurre a mão contra uma superfície fixa sem movimento.
- 3 séries de 30–45 s, 1 vez ao dia. Aumente tempo se tolerado.
4) Exercício excêntrico de extensão do punho (protocolo padrão)
- Sentado, antebraço apoiado com a mão para fora da borda, palma para baixo.
- Use a mão contralateral para elevar o punho e, com a mão afetada, faça a descida lenta e controlada (fase excêntrica), contando 3–4 segundos na descida.

- 3 séries de 15 repetições, 1 vez ao dia. Quando 3 x 15 estiver confortável e sem dor pós-treino, aumente carga gradualmente.
- Observação: várias revisões apontam benefícios de exercícios excêntricos dentro de programas multimodais.
5) Supinação/pronação com haltere leve
- Sentado, antebraço apoiado, segure um haltere leve (ou martelo). Rode a mão de palma para cima a palma para baixo lentamente.
- 3 x 15 rep.
6) Extensão dos dedos e preensão
- Apertar bola de tênis: segurar e soltar por 10–15 s, 10–15 repetições.
- Extensão com banda elástica: colocar banda nos dedos e abrir (extensão dos dedos) 3 x 15.
7) Trabalho de cadeia cinética e propriocepção
- Sombra de golpe sem bola, focando técnica; exercícios de core e estabilidade do ombro (pranchas, remadas com elástico).
Progressão e frequência
- Frequência típica: 4–6 vezes por semana nas primeiras semanas, reduzindo para manutenção.
- Progressão: aumente carga (peso ou resistência da banda) quando conseguir realizar 3 x 15 com execução perfeita e dor mínima (<2/10) durante e após exercício.
Cuidados e sinais de alerta
- Se dor aumentar progressivamente e houver piora funcional, interrompa e consulte especialista.
- Evite aumentar simultaneamente volume de treino e carga de fortalecimento sem adaptação.
Recursos com protocolos ilustrados: AAOS OrthoInfo – Therapeutic Exercise Program for Epicondylitis (PDF) e folhetos de reabilitação do NHS.
Tratamentos conservadores e quando procurar um médico
A maior parte dos casos evolui bem com tratamento conservador. As intervenções usuais:
Medidas iniciais (autocuidado)
- Repouso relativo e modificação de atividades agravantes;
- Crioterapia local (gelo) 10–20 minutos, 3–4 vezes ao dia enquanto houver dor aguda;
- Analgésicos: paracetamol; AINEs tópicos (gel) ou orais por curto período conforme indicação médica;
- Órtese de contraforça (counterforce brace) pode reduzir tensão sobre o tendão durante atividades; evidências mostram benefício sintomático em curto prazo para alguns pacientes.
Fisioterapia multimodal
- Programa de exercícios (isométricos, excêntricos, fortalecimento global), terapia manual, reeducação técnica e ergonomia.
Infiltrações e tratamentos intervencionistas
- Corticosteroides: proporcionam alívio sintomático rápido, mas benefício tende a diminuir a médio/longo prazo e há maior risco de recidiva comparado a outras abordagens.
- PRP (plasma rico em plaquetas): metanálises recentes indicam que PRP pode oferecer melhora funcional a médio/longo prazo em comparação com corticosteroides em alguns estudos, embora resultados variem entre ensaios.
- ESWT (terapia por ondas de choque extracorpórea): opção não invasiva com evidência emergente de benefício em casos crônicos.
- Needling, infiltrações guiadas por imagem e outras técnicas podem ser consideradas em centros especializados.
Cirurgia
- Indicada em caso de falha do tratamento conservador por 6–12 meses, com dor persistente e limitação funcional significativa.
- Procedimentos comuns incluem desbridamento do tendão ECRB e liberação dos tecidos degenerados.
Quando procurar um médico especialista
- Falha de melhora após 6–12 semanas (para avaliação inicial) ou 6–12 meses com tratamento conservador intensivo;
- Sintomas incapacitantes; sinais atípicos (edema importante, perda de sensibilidade) ou suspeita de lesão concomitante.
Evidência: revisão sistemática sobre PRP (plasma rico em plaquetas) x corticosteroide (PMC), diretrizes AAOS e NHS.
Dicas para retorno ao treino após lesão (plano progressivo)
Retornar às quadras cedo demais é a principal causa de recidiva. Utilize critérios objetivos e um protocolo progressivo:
Critérios para iniciar retorno
- Ausência de dor significativa nas atividades diárias e testes funcionais por pelo menos 7–10 dias;
- Força de preensão e extensão do punho próxima (≥90%) ao lado não afetado;
- Realização dos exercícios de reabilitação sem aumento da dor pós-sessão.
Protocolo de retorno (exemplo prático)
1) Fase 1 — Recondicionamento (1–2 semanas)
- Treinos sem bola (sombra), trabalho técnico leve, manutenção dos exercícios excêntricos e isométricos.
- Evitar impactos e golpes com força.
2) Fase 2 — Reintrodução controlada (2–4 semanas)
- Batidas leves com bola low-compression (foam ou low-compression balls), número reduzido de sets e sem potência máxima.
- Trabalho técnico supervisionado e foco em biomecânica (pegada, rotação do tronco).
3) Fase 3 — Treino completo com moderação (semanas 4–8)
- Aumento gradual de intensidade e duração; treinos com bola normal quando não houver dor pós-treino.
- Retorno progressivo a partidas curtas.
Monitoramento durante retorno
- Use escala de dor (0–10) como guia: se dor pós-treino aumentar mais de 2 pontos, reduzir carga no próximo treino.
- Priorize recuperação: gelo pós-sessão se houver sensibilidade, manter exercícios de fortalecimento 2–3x/semana.
Dicas práticas imediatas
- Reduza a tensão das cordas temporariamente e considere bola de baixa compressão nos primeiros treinos;
- Trabalhe com treinador para ajustar técnica (reduzir extensão do punho e melhorar transferência de força);
- Mantenha rotina de aquecimento e exercícios preventivos mesmo após retorno completo.
Referências: protocolos de retorno da Allina Health e Columbia University Return-to-Tennis Protocol.
Recomendações finais
O cotovelo de tenista é uma tendinopatia por sobrecarga com alto potencial de melhora quando tratada de forma estruturada. Para tenistas amadores e profissionais:
- Priorize prevenção: técnica, equipamento e condicionamento físico.
- Inicie programas de fortalecimento e alongamento cedo — exercícios excêntricos fazem parte da base do tratamento.
- Gerencie carga de treino e recupere adequadamente; não ignore dor persistente.
- Procure avaliação profissional (fisioterapeuta/ortopedista) se sintomas não melhorarem com autocuidados ou se houver perda funcional.
Combinando prevenção, exercícios bem orientados e retorno progressivo às quadras é possível reduzir recidivas e manter a carreira ou o lazer no tênis com segurança.
Acompanhe o Esporte Tênis para mais guias práticos, protocolos e atualizações: artigos, exercícios demonstrados e entrevistas com especialistas para ajudá-lo a retornar às quadras com segurança.
Fontes e leituras recomendadas
- Mayo Clinic — Tennis elbow: symptoms and causes: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/tennis-elbow/symptoms-causes/syc-20351987
- NHS — Tennis elbow: https://www.nhs.uk/conditions/tennis-elbow/
- AAOS (OrthoInfo) — Tennis Elbow (Lateral Epicondylitis): https://orthoinfo.aaos.org/en/diseases–conditions/tennis-elbow-lateral-epicondylitis
- AAOS — Therapeutic Exercise Program for Epicondylitis (PDF): https://orthoinfo.aaos.org/globalassets/pdfs/a00790therapeutic-exercise-program-for-epicondylitisfinal.pdf
- Physio-Pedia — Lateral Epicondyle Tendinopathy Toolkit: https://www.physio-pedia.com/LateralEpicondyleTendinopathyToolkit:SectionE–ExercisePrescription
- Systematic review PMC (PRP vs corticosteroide): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6940118/
- NHS Inform — Exercises for tennis elbow: https://www.nhsinform.scot/illnesses-and-conditions/muscle-bone-and-joints/arm-shoulder-and-hand-problems-and-conditions/exercises-for-tennis-elbow
