Wimbledon 2026 tem sua decisão masculina definida. Neste domingo, 12 de julho, o número 1 do mundo Jannik Sinner enfrenta o atual campeão de Roland Garros Alexander Zverev em uma final que reúne o melhor do tênis atual. De um lado, o italiano busca o bicampeonato em Londres e o quinto título de Grand Slam da carreira. Do outro, o alemão tenta completar o raro double Roland Garros-Wimbledon, algo que não acontece desde Carlos Alcaraz em 2024. As semifinais, disputadas nesta sexta-feira, 10 de julho, foram dominadas pelos dois favoritos e prepararam o cenário para o que promete ser uma final histórica no All England Club.

O caminho de Sinner até a final

Jannik Sinner deu um verdadeiro show de tênis na semifinal contra Novak Djokovic. O italiano de 24 anos venceu por 6-4, 6-4, 6-4 em 2h20min de partida, repetindo o mesmo placar da semifinal do ano passado. Foi uma atuação cirúrgica do número 1 do mundo, que disparou 16 aces, não cometeu nenhuma dupla falta e venceu impressionantes 88% dos pontos com o primeiro saque. Djokovic, de 39 anos, teve apenas uma chance de quebra em toda a partida — Sinner a salvou com um ace a 201 km/h.

A vitória representa uma vingança para Sinner, que havia perdido para o sérvio na semifinal do Australian Open em janeiro, em cinco sets. Desde então, o italiano venceu seis dos últimos sete confrontos contra Djokovic. Com o resultado, Sinner chegou a 22 vitórias em seus últimos 23 jogos de semifinal — um aproveitamento estarrecedor.

Outro dado impressionante: Sinner não perde um set desde a primeira rodada, quando esteve dois sets a um atrás contra Miomir Kecmanović. São 17 sets consecutivos vencidos, uma demonstração de consistência assustadora. O italiano também igualou feitos de Roger Federer e Rafael Nadal ao vencer Djokovic em sets diretos pelo terceiro ano consecutivo em Grand Slams.

Zverev na final de Wimbledon 2026: encerra conto de fadas de Féry e busca o double

Na outra semifinal, Alexander Zverev não tomou conhecimento do britânico Arthur Féry, que fazia sua primeira semifinal de Grand Slam como wild card. O alemão de 29 anos venceu por 7-6(0), 6-2, 6-4 em 2h13min, quebrando a resistência do jovem de 23 anos que encantou o público britânico ao longo da quinzena.

Zverev foi dominante do início ao fim. Seu saque funcionou como uma arma letal — ele entrou com cerca de 75% de primeiros serviços na partida e não deu qualquer chance a Féry no tiebreak do primeiro set, vencendo por 7-0. O forehand, historicamente o lado mais frágil do alemão, funcionou com autoridade: foram 22 winners com essa direção, segundo análise da BBC.

Esta é a primeira final de Wimbledon para Zverev, que agora tem finais em todos os quatro Grand Slams. Mais importante: ele tenta se tornar o primeiro jogador desde Carlos Alcaraz em 2024 a vencer Roland Garros e Wimbledon no mesmo ano. Há apenas um mês, Zverev conquistou seu primeiro título de Grand Slam em Paris, derrotando Flavio Cobolli na final em cinco sets — após três finais perdidas (US Open 2020, Roland Garros 2024 e Australian Open 2025).

"Estou tentando jogar de forma mais agressiva", disse Zverev após a semifinal. "Meu forehand é uma grande parte disso. Quando acerto bem esse golpe, sinto que estou jogando bem. Quando não acerto, é onde me torno mais batível."

Sinner x Zverev: histórico de confrontos aponta favoritismo do italiano

Se depender do histórico, Sinner chega como franco favorato. O italiano lidera o confronto direto por 10 a 4 e venceu as últimas nove partidas contra o alemão desde 2024. Eles se enfrentaram em uma final de Grand Slam antes — no Australian Open de 2025, quando Sinner venceu em sets diretos (6-3, 7-6, 6-3).

A vantagem do italiano é ainda mais evidente na grama. Sinner é um jogador mais adaptado à superfície, com sua devolução agressiva e capacidade de ditar os pontos desde o fundo da quadra. Zverev, por outro lado, tem como principal arma o saque potente (média de 212 km/h no torneio, a mais alta do qualifying) e o forehand agressivo que mostrou contra Féry. Analistas do The Athletic apontam que Sinner deve explorar a movimentação de Zverev, levando o alemão à rede para expor sua principal fragilidade.

Sinner também vive um momento impressionante com o saque. Contra Djokovic, o melhor devolvedor do circuito, ele não enfrentou uma quebra até o terceiro set. O italiano venceu 88% dos pontos com o primeiro saque e 61% com o segundo, contra apenas 34% de aproveitamento no segundo saque de Djokovic.

Final de Wimbledon 2026: o que está em jogo para Sinner e Zverev

Há muito em jogo neste domingo. Para Sinner, uma vitória significa o quinto título de Grand Slam aos 24 anos, aproximando-se de Carlos Alcaraz, que tem sete. O italiano já venceu o Australian Open (2024 e 2025), US Open (2024) e Wimbledon (2025). Um bicampeonato em Wimbledon o colocaria no seleto grupo dos 14 tenistas que conquistaram múltiplos títulos no All England Club na Era Aberta.

Para Zverev, uma vitória representaria a consagração definitiva. Depois de anos sendo criticado por não vencer os grandes jogos, o alemão conquistou seu primeiro Slam há apenas um mês e agora busca o segundo em sequência — e em superfícies diferentes. Completar o double Roland Garros-Wimbledon é um feito que apenas os maiores da história conseguiram: Rod Laver, Bjorn Borg, Rafael Nadal, Roger Federer, Novak Djokovic e Carlos Alcaraz.

O vencedor também levará para casa aproximadamente US$ 4,8 milhões em premiação, além de 2.000 pontos no ranking. Para Zverev, uma vitória o manteria firme na briga pelo número 1 do mundo.

Já Djokovic, mesmo eliminado na semifinal, provou mais uma vez sua resiliência ao chegar à 55ª semifinal de Grand Slam da carreira, mesmo aos 39 anos. Ele segue com 24 títulos de Grand Slam (empatado com Margaret Court) e sete títulos de Wimbledon.

Onde assistir e horário da grande final

A grande final masculina de Wimbledon 2026 acontece neste domingo, 12 de julho, a partir das 12h (horário de Brasília), na Quadra Central do All England Club. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN e pelo streaming Star+.

Será a primeira vez desde 2022 que a final masculina de Wimbledon não terá Novak Djokovic ou Carlos Alcaraz de um lado da quadra. Sinner e Zverev representam uma nova geração que já não pede licença — ela simplesmente tomou o centro do palco. O tênis mundial ganha uma nova rivalidade, e o vencedor deste domingo dará um passo gigante na definição de quem será o grande nome da década.