Serena Williams está oficialmente de volta à chave de simples de Wimbledon. Aos 44 anos, a campeã de 23 títulos de Grand Slam recebeu um wild card da organização do torneio no domingo, 21 de junho, para disputar a chave feminina individual de Wimbledon 2026. A notícia chega apenas cinco dias após o anúncio de que ela também jogaria duplas com a irmã Venus, ampliando o que já era o retorno mais aguardado da temporada no tênis mundial.

O anúncio do wild card

O All England Club confirmou no domingo que Serena Williams integrará a chave de simples feminina como wild card. A decisão era especulada desde que ela retornou às quadras neste mês de junho, mas a própria Serena havia deixado a porta aberta. Em entrevista coletiva durante o torneio de Queen’s, ela disse: "Não posso dizer não agora. Sinto que provavelmente preciso treinar um pouco mais se quiser jogar simples, e veremos se chego lá."

Menos de duas semanas depois, ela chegará a Londres não apenas para as duplas, mas também para tentar uma oitava conquista histórica em Wimbledon. Serena não disputa uma partida de simples desde o US Open de 2022, quando foi eliminada na terceira rodada pela australiana Ajla Tomljanović. Na ocasião, ela disse estar "evoluindo" para longe do tênis, o que muitos interpretaram como o início de sua aposentadoria.

O retorno ao circuito: de Queen’s a Berlim

O retorno de Serena começou na grama do Queen’s Club, em Londres, durante o HSBC Championships no início de junho. Ela fez sua primeira partida profissional em quase quatro anos ao lado da jovem canadense Victoria Mboko na chave de duplas. A parceria venceu a estreia contra Nicole Melichar-Martinez e Erin Routliffe em sets diretos, mas a campanha foi interrompida quando Mboko sofreu uma lesão durante sua partida de simples e precisou se retirar do torneio.

Na semana seguinte, Serena voltou às quadras no Berlin Open, desta vez ao lado da tcheca Karolina Muchova. A parceria, no entanto, caiu na primeira rodada para Giuliana Olmos e Erin Routliffe em sets diretos.

Apesar dos resultados mistos nas duplas, a lenda americana mostrou disposição para competir e manteve viva a chance de um retorno às simples. Agora, com o wild card em mãos, ela terá a oportunidade de pisar novamente na quadra central de Wimbledon como protagonista.

Uma história de grandeza em Wimbledon

Serena Williams e Wimbledon formam uma das parcerias mais vitoriosas da história do esporte. Ela conquistou o torneio sete vezes em simples: 2002, 2003, 2009, 2010, 2012, 2015 e 2016. Em todas as três primeiras conquistas, derrotou a irmã Venus na final — um feito que jamais será esquecido pelos fãs de tênis.

Além dos títulos de simples, Serena também venceu seis vezes o título de duplas femininas em Wimbledon (todas com Venus) e uma vez o de duplas mistas (em 1998, com Max Mirnyi). Ao todo, são 14 títulos em Wimbledon, número que a coloca entre as maiores vencedoras da história do torneio.

Na grama, sua superfície mais bem-sucedida, Serena venceu 107 das 123 partidas que disputou, um impressionante aproveitamento de 87%. Ela também é a única jogadora na história a completar o Career Golden Slam — vencer todos os quatro Grand Slams e a medalha de ouro olímpica — tanto em simples quanto em duplas.

Serena conquistou seu último título de simples no WTA de Auckland em 2020, quando derrotou Jessica Pegula na final. As finais de 2018 e 2019 em Wimbledon, ambas perdidas, foram suas últimas chances de igualar o recorde de 24 títulos de Grand Slam de Margaret Court — um marco que permanece ao alcance, mas cada vez mais distante.

O que esperar de Serena em Wimbledon 2026

É improvável que Serena Williams chegue a Wimbledon 2026 como favorita ao título. Aos 44 anos e após quase quatro anos sem disputar uma partida de simples oficial, as expectativas precisam ser realistas. No entanto, sua simples presença na chave já transforma o torneio.

Serena será, sem dúvida, uma das atrações mais aguardadas. Cada partida que disputar será um evento à parte, e o público britânico, que sempre a apoiou, deve lotar a quadra onde quer que ela jogue. A chance de vê-la vencer uma ou duas rodadas não é remota — seu saque e seu poder de jogo seguem sendo armas formidáveis, especialmente na grama.

O primeiro teste será o sorteio da chave, que definirá sua adversária na estreia. Wild cards geralmente enfrentam posições mais baixas no ranking ou outros convidados, o que pode lhe dar uma oportunidade real de avançar.

O cenário feminino em Wimbledon 2026

Enquanto Serena escreve mais um capítulo de sua história, a chave feminina de Wimbledon 2026 promete ser uma das mais competitivas dos últimos anos. Iga Swiatek é a atual campeã, tendo vencido o torneio em 2025. A polonesa chega como uma das favoritas ao lado de Aryna Sabalenka e Elena Rybakina.

Aryna Sabalenka, atualmente a número 1 do mundo, aparece como a segunda favorita nas casas de apostas, enquanto Elena Rybakina (+270) lidera as odds. A cazaque Rybakina, campeã de Wimbledon em 2022, tem um jogo perfeitamente adaptado à grama e busca o bicampeonato no All England Club. Sabalenka (+300) e Swiatek vêm logo atrás em um mercado extremamente equilibrado.

No masculino, Jannik Sinner é o grande favorito. O italiano, atual campeão de Wimbledon, busca redenção após sua eliminação precoce em Roland Garros 2026. Com Carlos Alcaraz fora devido a uma lesão no punho — a mesma que o tirou de Roland Garros — a chave masculina fica ainda mais aberta para Sinner, que venceu o torneio em 2025. Alexander Zverev, recém-coroado campeão de Roland Garros, é o segundo favorito.

Serena Williams entrará em quadra em Wimbledon 2026 para competir. Não para provar algo a ninguém, mas para celebrar sua relação com o torneio que ajudou a definir sua carreira. Para os fãs de tênis, cada ponto que ela jogar será um presente. Para as adversárias, será a chance de enfrentar — talvez pela última vez — uma das maiores atletas que o esporte já produziu.