Tipos de pegadas corretas (continental, eastern, semi-western, western)

Antes de corrigir erros, vale entender as pegadas básicas e quando usá-las. A empunhadura é feita apoiando o nó do dedo indicador em um dos chanfros (bevels) do cabo octogonal da raquete — isso determina a face da raquete no momento do impacto.

Diagrama dos chanfros (bevels) da raquete de tênis

Continental (“martelo” correto)

  • Uso: saque, voleios, smash, slices, e situações que exigem mudanças rápidas de superfície da raquete.
  • Como formar: posicione o nó do dedo indicador próximo ao 2º chanfro (para destros). A raquete fica relativamente paralela ao antebraço; segure com firmeza moderada. Pegada continental no tênis
  • Vantagens: versatilidade; não exige troca de pegada para muitos golpes. Importante para jogadas de rede.

Eastern (forehand fácil para iniciantes)

  • Uso: forehands planos ou com moderado topspin; boa para quem começa a aprender golpes de fundo.
  • Como formar: coloque o nó do indicador no 3º chanfro; face da raquete tende a ficar neutra, facilitando golpes planos. Pegada eastern forehand no tênis
  • Vantagens: bom equilíbrio entre potência e controle; mudança de pegada relativamente simples.

Semi-western e Western (mais topspin)

  • Uso: jogadores que buscam maior topspin e controle em bolas altas — muito usado em jogo de fundo.
  • Como formar: semi-western costuma ter o nó no 4º chanfro; western ainda mais embaixo, no 5º. A mão fica “embaixo” do cabo, favorecendo swing de baixo para cima. Pegada semi-western no tênis
  • Vantagens e desvantagens: maior rotação da bola e margem de erro em bolas altas; pior desempenho em bolas muito baixas e trocas rápidas na rede.

(Fonte: UGA Tennis e Tennis Companion — veja referências no final.)

Erros comuns e por que ocorrem

Aqui estão os três erros que mais aparecem entre iniciantes, muitas vezes vistos em vídeos virais — mas com consequências sérias para a aprendizagem do jogo.

1) Pegada de “martelo” incorreta

O erro: segurar a raquete perpendicular ao antebraço como se fosse uma marreta, com o punho rígido ou em posição errada no cabo.

Por que acontece: insegurança, imitação de movimentos isolados ou falta de noção de que o “martelo” tem variações (continental é correto em muitos contextos, mas diferente da pegada errada).

Consequências:

  • Face da raquete fecha ou abre no impacto;
  • Perda de controle e precisão;
  • Tensão exagerada no punho e antebraço.

2) Raquete invertida (bater com a face errada)

O erro: a raquete gira e a pessoa acaba batendo com a face interna/errada, como se estivesse virando a raquete.

Por que acontece: pressa ao ajustar a pegada, troca de mão, confusão espacial ou falta de hábito de checar a face antes do golpe.

Consequências:

  • Trajetória imprevisível da bola;
  • Mais erros não forçados;
  • Pode indicar que o jogador não está encaixando a pegada antes do swing.

3) Punho frouxo demais ou excessivamente rígido

O erro: punho sem firmeza (raquete vibra e perde transferência de energia) ou punho travado (perde amortecimento e mobilidade).

Consequências:

  • Menor consistência e potência;
  • Maior risco de sobrecarga e lesões no antebraço/cotovelo (epicondilite) se a técnica for incorreta por tempo prolongado. (Fonte: Mayo Clinic)

Como identificar o problema — método rápido

  1. Grave um vídeo de 30–60 segundos fazendo swings lentos (forehand/backhand/voleio).
  2. Observe onde o nó do indicador está apontando em relação aos chanfros (compare com as descrições acima).
  3. Veja se a face da raquete está aberta/fechada no ponto de contato ou se muda durante o swing.
  4. Cheque a firmeza do punho: a raquete vibra? O antebraço parece tenso? Se sentir dor, pare e consulte um profissional.

Exercícios e correções passo a passo

Cada bloco abaixo tem exercícios curtos e fáceis de repetir — ótimos para treinar memória muscular em 10–20 minutos por sessão.

Correção da pegada de martelo (errada)

Exercício A — Toque nos chanfros (30 repetições)

  • Segure a raquete de maneira relaxada. Com o polegar e o indicador, toque o chanfro desejado (2º para continental, 3º para eastern).
  • Solte e repita. Concentre-se em sentir a base do cabo encaixar na palma.

Exercício B — Rolamento do cabo (10 repetições x 3 séries)

  • Segure a raquete pela metade do cabo com suporte moderado (meia altura), balance o braço para frente e role o cabo até a posição correta; sinta o encaixe na base da palma.
  • Permite treinar como a raquete gira até a posição de impacto correta.

Exercício C — Pequenos swings com foco na mão (2 × por semana)

  • Faça 5 minutos de shadow swings lentos apenas prestando atenção à posição da mão (sem bola). A meta é atingir a posição escolhida automaticamente antes do contato.

Correção da raquete invertida

Exercício A — Rotação em câmera lenta (shadow swings)

  • Sem bola, realize swings e fale ou mentalize “face pra frente” no momento do contato imaginário.

Exercício B — Leitura do cabo (10 repetições)

  • Mão não dominante posicionada na garganta (throat) da raquete; mão dominante no fim do cabo. Gire o cabo 90° e volte. Treina consciência espacial da face da raquete.

Exercício C — Preparação antes de cada golpe (hábitos)

  • Antes de cada rebatida em treino, verifique visualmente a face da raquete e diga em voz baixa (ou mentalize) “face” — esse trigger reduz erros causados por pressa.

Correção de punho frouxo / rígido

Exercício A — Isometria do punho (20 segundos × 3)

  • Simule a posição de golpe e contraia o punho moderadamente por 20 segundos. Não trave — o objetivo é firmeza controlada.

Exercício B — Pegada elástica (bolinha) (2–3 minutos)

  • Segure uma bolinha de borracha macia ao lado do cabo e faça apertos de 5 segundos, repetindo séries. Fortalece a pegada sem acostumar o jogador a uma pressão excessiva.

Exercício C — Swings controlados com feedback (diariamente)

  • Faça séries de 20 swings controlados; peça a um parceiro para indicar quando vê o punho travar ou soltar demais.

Exercício prático em quadra — progressão de 2 semanas

Semana 1 (foco: memória muscular da pegada)

  • Dias 1–3: 10–15 min de toques nos chanfros + 5 min de shadow swings.
  • Dia 4: 20 min em quadra com parceiro a 3–4 m, trocando bolas leves e priorizando a posição da mão.
  • Dia 5: descanso ativo (alongamentos de punho/antebraço).

Semana 2 (foco: transferência para golpees reais)

  • Dias 1–2: 15–20 min de drills com bola — 50 forehands lentos priorizando pegada.
  • Dia 3: filmar 10 primeiras e 10 últimas rebatidas para comparação.
  • Dias 4–5: incluir voleios e saques leves usando pegada correta; se tudo estiver bem, aumentar velocidade gradativamente.

Se após 2 semanas a pegada não estiver consistente, procure um treinador para análise técnica.

Dicas de prevenção e equipamentos ideais para iniciantes

Escolha do tamanho do cabo

Cabos muito finos ou largos atrapalham o encaixe da mão. Teste simples: segure a raquete e verifique se cabe um dedo (índice) entre a ponta do dedo indicador e a base da palma — se couber folga demais, o cabo é grande; se não couber, é pequeno. Consulte tabelas de grip size dos fabricantes para confirmar.

Overgrip e fita

Overgrips melhoram aderência sem aumentar exageradamente o volume do cabo. Troque regularmente: overgrips gastos escorregam e dificultam a manutenção da pegada correta.

Encordoamento e tensão

Cordas muito rígidas transmitem mais vibração ao braço; iniciantes geralmente se beneficiam de tensões moderadas e cordas mais macias (multifilamento) para reduzir impacto.

Aquecimento e fortalecimento

  • Alongamentos dinâmicos de antebraço e punho antes da sessão (2–3 minutos);
  • Bandas elásticas para resistência (3 séries de 12 repetições);
  • Fortalecimento de pegada com bola de borracha (2–3 minutos).

(Fonte: Mayo Clinic — orientação sobre sobrecarga e epicondilite.)

Quando procurar ajuda profissional

  • Dor persistente no cotovelo, punho ou ombro durante/apos treinos;
  • Correções que não progridem após 10–14 dias de prática estruturada;
  • Sensação de formigamento, perda de força ou amplitude de movimento reduzida.

Procure um treinador qualificado para análise técnica da pegada e um fisioterapeuta para avaliação de possíveis lesões.

Perguntas rápidas (FAQ curto)

  • Posso trocar minha pegada de uma hora para outra? R: Mudanças grandes exigem tempo e prática progressiva; tente adaptar gradualmente com drills.
  • Overgrip resolve problema de pegada? R: Facilita aderência, mas não corrige posição dos chanfros — use junto com exercícios técnicos.
  • Quanto tempo para ver melhora? R: Para ajustes simples, 1–2 semanas com prática diária de 10–20 minutos costumam mostrar progresso; em casos crônicos, pode levar mais tempo.

Benefícios de aperfeiçoar a pegada (resumo)

  • Mais controle e consistência;
  • Melhor aproveitamento de topspin ou golpes planos conforme sua estratégia;
  • Menor risco de lesões por sobrecarga;
  • Facilita o aprendizado de golpes avançados (saque, voleio, slice).

Referências e leituras recomendadas

Acompanhe o Esporte Tênis para mais guias práticos, análises técnicas e dicas diárias que vão acelerar seu aprendizado na quadra.