Falta apenas um fim de semana para o maior torneio de grama do mundo. Wimbledon 2026 começa na segunda-feira, 29 de junho, no All England Club, em Londres, e esta edição já entra para a história antes mesmo de uma bola ser batida: Serena Williams está de volta a um Grand Slam após quase quatro anos, Novak Djokovic busca o 25º título da carreira e Jannik Sinner chega para defender o título em uma chave que promete surpresas de todos os lados.
O retorno de Serena Williams
Aos 44 anos, Serena Williams retorna à competição de simples de um Grand Slam pela primeira vez desde o US Open de 2022. Sete vezes campeã de Wimbledon, a americana recebeu um wild card para simples e duplas — onde jogará ao lado da irmã Venus, de 46 anos — e já tem seu caminho traçado na chave feminina.
Na primeira rodada, Serena enfrenta a australiana Maya Joint, de 20 anos, que vive uma temporada difícil com apenas 3 vitórias em 18 partidas. Joint tem algum pedigree na grama — venceu o Eastbourne Open no ano passado — mas a dimensão do confronto contra uma das maiores da história, na (quase certamente) quadra central, é um desafio de proporções colossais.
Se passar pela australiana, Serena encontrará pela frente Alexandra Eala, das Filipinas, na segunda rodada. Aos 21 anos, Eala vem fazendo uma excelente campanha na grama em 2026, com vitórias sobre a campeã de Queen’s Donna Vekić, a campeã de Wimbledon 2022 Elena Rybakina e a top-10 Elina Svitolina. Será um teste duríssimo.
Caso avance, o duelo que o mundo do tênis espera pode acontecer já na terceira rodada: Serena contra a atual campeã Iga Świątek. A polonesa de 25 anos, seis vezes campeã de Grand Slam, teria pela frente a lenda do esporte em uma partida que pararia o mundo.
Nas duplas, Serena e Venus estreiam contra a colombiana Camila Osorio e a argentina Solana Sierra, nenhuma delas especialista em duplas.
Chave masculina: Sinner, Djokovic e o quarto da morte
Jannik Sinner, número 1 do mundo e atual campeão, chega a Wimbledon como o grande favorito, especialmente com a ausência de Carlos Alcaraz, que está fora por lesão no punho. O italiano tem uma chave relativamente favorável até as quartas de final, onde um confronto contra Daniil Medvedev ou Casper Ruud pode acontecer.
Sinner não joga desde Roland Garros, onde foi eliminado na segunda rodada por Juan Manuel Cerúndolo após sentir os efeitos do calor parisiense e uma doença. Na ocasião, o italiano vencia com folga até seu corpo traí-lo — um alerta para as duas semanas em Londres.
Novak Djokovic, aos 39 anos, busca o 25º título de Grand Slam da carreira, o que o colocaria isolado como o maior campeão da história. O sérvio caiu no mesmo lado da chave que Sinner e terá um caminho espinhoso até uma eventual semifinal. Na quarta rodada, pode reencontrar João Fonseca, o brasileiro que o eliminou em Roland Garros, ou o cabeça de chave nº 12 Andrey Rublev. Nas quartas, Felix Auger-Aliassime, que vem em ótima forma, deve ser o adversário.
O quarto quarto da chave masculina foi apelidado de "quarto da morte". Taylor Fritz (nº 6) enfrenta Jack Draper já na primeira rodada — um confronto que, há um ano, seria entre o nº 5 e o nº 4 do mundo. Draper, que contratou Andy Murray como técnico para tentar melhorar seu desempenho em Wimbledon, caiu no ranking por lesões e está fora do top 100. O vencedor pode enfrentar Frances Tiafoe, recém-coroado campeão do Halle Open, na quarta rodada.
No fundo da chave, Alexander Zverev, número 2 do mundo e campeão de Roland Garros 2026, busca sua primeira campanha profunda em Wimbledon — nunca passou das quartas de final no All England Club. O alemão estreia contra o belga Alexander Blockx.
Enquanto isso, Ben Shelton (nº 4), Tommy Paul e Taylor Fritz representam uma forte delegação americana no masculino, todos buscando chegar à primeira final de Grand Slam.
Chave feminina: Swiatek, Sabalenka e as ameaças
Iga Świątek defende o título conquistado em 2025 — quando perdeu apenas dois games na semifinal e na final combinadas — mas chega com menos confiança do que em anos anteriores. Troca de treinador (Wim Fissette por Francisco Roig, ex-integrante da equipe de Rafael Nadal) e inconsistência no saque marcam sua temporada.
A polonesa estreia contra Taylor Townsend, campeã de duplas em Wimbledon, que joga com ângulos agudos e gosta de subir à rede. Na segunda rodada, pode enfrentar Karolína Plíšková, ex-número 1 do mundo e vice-campeã de Wimbledon em 2021, uma das jogadoras mais perigosas na grama.
Aryna Sabalenka, número 1 do mundo, busca sua primeira final em Wimbledon — é o único Grand Slam em que não chegou à decisão. A bielorrussa vem de resultados irregulares na grama, incluindo uma derrota para Jessica Pegula em Berlim. Sua chave não é nada generosa: na terceira rodada, pode encarar Emma Raducanu, que acaba de chegar à final de Queen’s e terá o apoio da torcida britânica.
Elena Rybakina, campeã de Wimbledon em 2022, e Świątek estão em lados opostos do sorteio, abrindo caminho para uma possível final entre as duas.
Mirra Andreeva, de apenas 19 anos e recém-coroada campeã de Roland Garros 2026, tem um dos caminhos mais complicados. Estreia contra a experiente Magda Linette, ex-semifinalista do Australian Open, e na segunda rodada projetada encontra Barbora Krejčíková, campeã de Wimbledon em 2024 — considerada uma das "bombas" mais perigosas do sorteio.
Jessica Pegula (nº 4), que vem de grande campanha na grama de Berlim (finalista), optou por não jogar o torneio preparatório de Bad Homburg para se aclimatar mais cedo às quadras do All England Club. A americana tem um histórico modesto em Wimbledon (melhor campanha: quartas em 2023), mas chega embalada.
Confrontos imperdíveis da primeira rodada
Além de Serena x Joint e Fritz x Draper, a primeira rodada reserva vários jogos de altíssimo nível:
No feminino, Taylor Townsend x Iga Świątek pode ser uma armadilha para a campeã. Bianca Andreescu, ex-campeã do US Open, enfrenta a chinesa Zhang Shuai em um duelo de ex-top 10. A campeã olímpica Belinda Bencic, semifinalista em 2025, abre campanha contra a britânica Mika Stojsavljevic (wild card). Já Naomi Osaka, nº 14, enfrenta a tcheca Karolína Muchová em um dos confrontos mais estilisticamente interessantes da primeira rodada.
No masculino, Stan Wawrinka (wild card) x Matteo Berrettini é um duelo de ex-finalistas de Grand Slam. O francês Hugo Gaston (qualifier) enfrenta Stefanos Tsitsipas em uma partida que pode render pontos espetaculares. E Marin Čilić, campeão do US Open 2014, enfrenta Daniil Medvedev, semifinalista em Wimbledon em 2023 e 2024.
Previsões e o que esperar
Com Alcaraz ausente, o caminho de Sinner parece mais aberto do que nunca — mas Djokovic, mesmo aos 39 anos, sabe navegar as duas semanas em Londres como ninguém. São sete títulos de Wimbledon contra um do resto da chave masculina combinada. A grande questão é se seu corpo aguentará sete jogos de melhor de cinco.
No feminino, a chave está mais equilibrada do que nunca. Świątek luta para recuperar a forma, Sabalenka busca afirmação na grama, Rybakina é uma ameaça silenciosa e Serena Williams adiciona uma imprevisibilidade que nenhum torneio consegue comprar.
Wimbledon 2026 promete ser uma das edições mais memoráveis dos últimos anos. O returno de Serena, a busca de Djokovic pelo recorde, a consolidação de Sinner e as surpresas que só a grama inglesa proporciona — tudo começa na segunda-feira, 29 de junho.
